segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

E agora, já posso ser feliz ?
Até quando vou ter que bancar a descontente pro mundo me dar seus aplausos miseráveis ?
Já posso dizer, é verdade
Me pertenço
Paguei muito caro por mim mesma, em prestações eternas ao tempo
Mas posso sorrir sem peso, sem drama
E de noite, quando tem lua cheia, sai no rua descalça com o brilho das estrelas em minhas mãos

E mesmo na mesmice cotidiana a poesia simpática e amadora é capaz de me inspirar
Me tira pra dançar numa tarde de terça feira
Me repete verbetes falsos e banais
Com versos sobre amor e brincadeira


Não, eu não to cansada
Por mais que meus diálogos sejam monólogos
Por mais que as vezes chova forte em mim
Eu tenho um certo destino a cumprir
Que é viver o próximo segundo
E não pensar em nada mais

E me restam 20 minutos de discurso desfiado
Me restam pouco tempo de prosa empoeirada de saber
Eu queria mesmo era botar fogo em tudo que me deram
Incinerar todas as bagagens ancestrais
E sair flutuando por cima do muro
Morrendo de rir e voando de amor

Até quando vamos ficar remoendo esse passado que já passou ?

Que todo mundo já conhece, esse mesma chatice cinza de vida pequena?

Retomemos sem olhar no retrovisor
que o trator da vida já passou
e os passos ficam marcados na areia só enquanto a onda não vem 

E depois, depois já é cedo 
e sempre haverá tempo pra nós
porque eu já perdi o medo do futuro que eu não pedi
Me restam apenas o chá quente a a vontade de não me iludir 


Susto

Repousa na brisa suja de experiencias inocentes
Repleta de si mesmo regala os olhos ao ver o céu cinza
E as músicas, e as línguas e os abraços continuam a sufoca-la 
Como vestígio solto de tardes de verão que passaram ligeiro

Aliás como tudo que sempre passa rápido
E no cinema de segunda-feira encontra choro em banco desconhecido
Vê-se refletida no espelho da tela grande de pequenas ilusões
De águas límpidas repletas de poeira do tempo, de sal e de suor

E agora inquieta com o vento frio
Espero desesperadamente que tudo gele, assim, embranqueado profunda-mente 
Quero ver clarão de inverno, quero ver o frio materializado em flocos
Quero tudo isso somente pra assistir a  desfazer com os raios de sol

E mesmo que seja de manhã e o café ainda esteja na mesa, ela se regala com o dia
Ela deixa transbordar no corpo a vida que  tem no relógio
Ela ver cair pelo chão os anos da infância e da juventude
Ela espera os cabelos brancos e a dor nas costas
Como quem abre um sorriso pra morte e diz obrigada a vida que teve




domingo, 23 de novembro de 2014

Tarde de Fumaça

E talvez seja isso
A razão pela qual eu não consiga escrever nada que não seja isso
O motivo pelo qual meu quarto esteja quente, muito quente
E lá fora esteja quase congelando, de fato está  

E o porquê das folhas estarem voando com o vento, mortas
E da neblina cheirar a inverno, ainda vivo
E as cores estarem sempre vívidas, límpidas
E os amores sempre ardendo no peito, doentio

Não consigo simplesmente mudar de assunto
Sempre vou falar e falar e falar sobre algo que em mim pulsa constantemente
Minha astucia perspicaz, minha tendência viciada
Meu sujeito preferido

Eu ainda tento abrir a janela, é verdade
Deixar que a temperatura se misture
Que os ares se contenham
Que a música se traduza em pele, suor e desejo

Mas é tudo rápido demais em mim

 As vozes sempre roucas e cansadas
Sempre tentando convencer em qualquer língua, em toda parte
Que todos estão a procura sempre de alguém
Alguém que seja digno de amar
Alguém pra quem escrever
Alguém que não o faça sofrer

Absolutamente tudo em mim e em nós vibra por isso
E eu não consigo deixar de escrever sobre esse assunto
Como se tudo que saísse de mim
Absolutamente tudo
Fosse voce
 


Calma
Não é só voce
Foi quase isso
Mas depois eu respirei e ainda consegui ver o mundo ao meu redor

Inimaginável como o tempo que voa manso na  asa da vida pode transformar tudo
E agora de longe e de perto eu vejo bem melhor
Bem mais vivo, além de quente e claro
Se falo de mim, é porque preciso ser eu pra viver

Mas meu sujeito preferido continua sendo o mesmo

Você

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A arte do acaso – Barcelona 03/10/2014

E naqueles dias de chuva em que se é capaz de mudar todos os planos pra ficar em casa e não fazer nada: saí em busca do céu.
Na primeira parada do metro, encontrei-me com uma realidade que há tempos não me lembrava( pode-se esquecer facilmente essas coisas). Uma exposição sobre trabalho infantil no Peru me aguardava.
Com fotos que me transportaram pra um mundo de desencanto, colorido pelas cores do  lixo.
Crianças, mulheres e homens sorrindo em meio aos destroços que ninguém quer mais. Fazendo de sua morada, a única possível, diga-se de passagem, a morada dos urubus.
Permaneci insólita nessa exposição por cerca de 40 minutos. E nesse corredor de morte e de dor, ninguém quis entrar.
Uma exposição gratuita de realidade completamente vazia, em uma das cidades mais turísticas do mundo.
Corro o risco de ser julgada como “a única pessoa que entrou” ou a “ boazinha”, mas levando em consideração o que isso representa e o poder dessa exposição e dessas conclusões sobre mim, passo adiante o medo de me expor e a possibilidade insignificante de escrever essas palavras em vão. Além do mais já passou das 2horas da manhã, estou afogada na contrariedade da vida , não dá pra continuar com preguiça  de discutir.
Eu respirei o ar cheirando a lixo, senti a tristeza da injustiça social sobre minha cabeça, assim como uma pedrada beeem forte, sem esperar, e me retirei. Flutuando na desgraça ou graça do acaso que se ocupa da “arbitrária roleta genética”que se ocupou de mim e me sorteou como turista em Barcelona, e não como protagonista dessas fotos.

A cada passo que eu dava, a cada cheiro que eu sentia, depois já caminhando por uma das avenidas comerciais mais ricas de Barcelona, me questionava o que podia ser mais contraditório: uma exposição daquelas que arrancava as lágrimas dos olhos com a mesma violência que mata aquelas crianças de fome em todo o mundo estar disposta à 5 minutos de uma obra de Gaudi , onde pessoas muitas vezes lindas e burras atravessam apressadas com suas sacolas de compras e são incapazes de perceber o “outro mundo” que não é outro, e sim o mesmo, ao seu lado, em baixo dos seu narizes finos empinados; ou eu, ali, caminhando com minhas roupas de brechó, minhas frutas na mochila e meus olhos de assombro de quem vê o mundo pela primeira vez.










O dia segue comigo, meu ego e o mundo
Alguns passos, mais um metro, fico perdida por 20 minutos porque não possuo a capacidade de me achar em mapas ( inclusive nos mapas da vida) e me deparo com outra exposição.
E dessa vez foi ainda mais forte, não pude respirar quando li o nome, foi  muito profundo e muito surreal pra de fato acreditar.
Há anos leio livros sobre a vida das mulheres no Afeganistão. Suas dores e sua realidade são tão ensurdecedoramente tristes que me arrebatam, me tomam por completo interesse.
Muitas pessoas conhecem  o livro chamado “O  Caçador de Pipas”, e o mesmo autor escreveu mais dois livros chamados “A cidade do Sol” e “ O Silêncio das Montanhas”. São três obras lindas, se é que se pode dizer isso, porque são realmente fortes. Profundas. Profundamente tristes. Não é todo mundo que gosta ou se sente bem. Eu entendo perfeitamente quem não gosta.
Essas obras tratam da vida das mulheres afegãs. “Coincidentemente” o mesmo tema da segunda exposição que me pegou pela mão no meio da rua e me levou pra dentro desse mundo.
Os e as personagens das histórias dos meus livros estampados(as) na parede, bem grande, bem próximo, bem na minha frente. De graça. Sem querer.
Estasiada pela exposição das crianças do Peru, fui transportada para  essa outra realidade, esse outro  mundo, realidade essa parecida em relação a níveis de violência, morte e dor.
Essa é também a minha realidade. Essas mulheres também sou eu, somos nós. São muito mais que nós , na verdade. São mais fortes. Mas ninguém as vê.  Poucas pessoas ao ouvem, poucas pessoas as ajudam.
Saí dessa exposição trocando os passos, perdendo os pensamentos em riachos de confusão e inverdades.
De tudo que eu não sei, sei que minha realidade que não é Barcelona City, minha nada europeia vida me deu um banho de água com gelo e sangue hoje. Sangue das mulheres do Afeganistão e das famílias que vivem no lixão no Peru.
Tentei continuar respirando, caminhei e caminho até agora, só que diferente, meu caminho parece estar um pouco mais forte, digo, melhor traçado.
Sei que esse sofrimento todo também existe no meu país, sei que há disso por toda parte. Resta continuar. Resta tentar.

O coração bate forte, aos pulos, e os olhos celebram a desconfiança, observam  a cultura do terror e da violência mas brilha quando acredita no amor que eu sei que exite em nós.
















Caminho além-mar


Acalento brando, seco, quente
Quem és tu que eu sei que é?
Quem és tu que virá a ser um ser que é?
Pra mim, meu, pra nós ?

Na flutuante corrente do ar
Que pousa nas folhas agora vermelhas e depois em mim
Sei que respirastes do mesmo oxigênio
Sei que é nele que está sua vida

De tudo que me destes, do amor e da poesia
A presença que marcastes é de tudo o que eu mais temia
Pois agora estou livre, de fato livre, pra voce
Agora me despeço de tudo que desaprendi fazendo errado

Aqueço o quarto com a lembrança de outro quarto
De outro tempo que passou rápido
De poucos olhares trocados , de ligeiras mãos dadas ao fim da noite
De beijos apressados e cansados de falar


Percebo a bestialidade do acaso
O espelho das folhas, das flores e das árvores
Que me refletem coloridamente acompanhada de mim
Sozinha na marcha bendita

Mas não por todo o tempo que resta
E tudo que desaprendi aqui é pra aprender com voce
E tudo que sofri aqui é pra me alegrar com voce
E todo medo de deixo aqui é pra encorajar com voce

Pela primeira vez agora
O suflo renovado de consciência e coragem
A certeza de quase nada, esse nada que muda rápido
E o amor nas mãos prontas a enlaçar nas suas, mansas e poéticas mãos

Mãos de viola, mãos de muitas outras
Mão de trabalho, de choro e de dor
Mãos de abraço, mãos de pressa
Mãos que entendem,  mãos que esperam

Mãos que recebem do mar
A carta que envio no tempo
O sorriso preso no abraço
O acaso metido no cansaço

E a certeza do reencontro no verão  

O que se aprende com o fogo


E como se nunca o tivesse experimentado antes
Me foi dada a missão:
Ame. Faça um fogo
Nas tentativas primitivas frustadas encontrei  na pressa a primeira inimiga do amor

Nas precedentes fui observando a importância da paciência
Do recomeçar
Capacidade essa que não se aprende somente com o fogo
Fui namorando com ele, bem devagarinho o descobrindo

Me disseram que a chama constante é o segredo
Mas pra que isso ocorra é preciso estar atento
Ser presente e ser disponível. Se dedicar
Todas as manhas frias exigem um fogo calmo e quente

Todos os dias aprendo com ele a me reinventar
A me deixar tentar mais uma vez
E dar espaço entre os galhos secos
Agora reciclado em calor e conforto

Do amor que não se aprende
Do fogo que não esquenta , o mundo esta farto
Na labuta do aprender, a natureza vai ensinando as coisas do coração
E pra cada folha que cai, um espelho de imensidão de nós


Relatos do tempo que passa



E quem diria que seria no céu que eu contraria minha luz
Em meio aos campos infinitos, aos pomares perfumados, a grama verde viva, as nozes pelo chão 
O céu pincelado se apresenta como o mais bonito
De surpresa me pego pensando se ele é mesmo de verdade
Porque parece cuidadosamente pintado por alguma (o) artista doida (o) e genial.
Desaba por sobre mim sua beleza imensurável , todos os dias
Despedaça minha razão em pequenas nuvens insignificantes
Obra de arte viva de todos os dias de sol




Relatos do tempo que passa II

Agora mergulho nesse silêncio cantado pelos pássaros
O vento e o sol roçam minha pele, acariciando devagar o que o tempo me fez compreender que é meu
A minha respiração ainda não acostumada com a vida disposta aos meus pés, rejeita a calma e a postura
Mas não desisto de alinhar o corpo e a alma
Eu flutuo no ar, nas nuvens do céu do mundo
Parto pra outra dimensão segura da verdade
Escolho fazer o que quero e dou as mãos pra mim mesma por toda a vida restante

Agora chove de novo
A realidade vai virar sonho um dia, eu sei
No ciclo de tudo, manso tempo, mansa chuva
Gotas de lágrimas, gotas de vida
Escancaro a bestialidade de se poder estar aqui

Relatos de dentro pra mais dentro ainda
É fim do dia
Terça feira chuvosa, dentro e fora. Como sempre
Quero lembrar de hoje como o dia da Aventura da Compaixão
Transformei diversas vezes o rumo do dia, para desaguar numa noite com lágrimas e sorrisos
Decidi que quero o sorriso livre pra mim
Tenho 20 nada anos e ainda não pude sorrir livremente, como aqueles sorrisos que fogem a boca no meio do jantar, aqueles sorrisos sem preço, sem motivos, sem nada, sabe?
Carrego ou carregava a sensação de algo errado a consertar, um trabalho a terminar, um adeus a dizer.
Mas perco a cada instante a urgência da vida, das horas, das despedidas.
Vou deixando a preocupação pelas esquinas iluminas em que passo sem perceber o caminho
Vou me livrando pouco a pouco da preocupação,  como quem tira um casaco porque esta muito quente, assim, rápido.
A verdade que enxergo carrega uma maleta chamada coerência, uma senhora simpática e bondosa, porém extremamente rígida, como os (as) alemães (as).
Na vaidade frustada e consumista de hoje em dia é muito fácil perder minha rédea, eu já perdi muitas vezes em dia de carnaval.
Desabafo pra ninguém mais ver, pois preciso do reflexo de mim sozinha.
Preciso aprender .
A dizer não e a dizer sim.
Conheci pessoas que me fizeram dar um salto, como pra poder ver mais,como pra poder pegar pra mim tanta doçura,  pessoas fortes, mulheres-aço, as quais merecem e acredito que devem ser seguidas. As quais quero lembrar quando respirar fundo  no topo da montanha da vida.
Mas assim como essa chuva, sou infantil e inquieta.
Ainda não pronta, escrevo sobre os erros que ainda não cometi, escrevo sobre os erros com os quais ainda não aprendi
Passo as noites revendo as experiências do dia. Dia após dia.
Pra ver se pego mais apego a mim, se me aconchego melhor, assim, sozinha.
Meu encontro com tanta verdade me fez borbulhar pra dentro , numa infusion de cérebro derretido.
Por isso não consigo agir, meu cérebro ainda esta derretido de verdades.
Mas tenho sorte. Acredito pra caramba nela.
Espero-me incrédula de vasta límpida água tanta
Boiando na loucura que salta aos olhos

Asa branda voando alto, virgem de vida de verdade.

domingo, 5 de outubro de 2014

Desabafo Abafado

É França mas na mesa do café da manhã há 4 alemãs, um casal de espanhóis, e uma brasileira. Ou melhor, hoje  sou um pouco mais, opto por ser América do Sul, opto por ser colônia. Colônia de exploração.
A falta de articulação e de vocabulário me faz, mais uma vez, atuar como apenas observadora, ouvinte. Telespectadora do diálogo que flutua sobre opniões parecidas e compartilhadas. Eles falam sobre os novos ricos. Sobre os super citados turistas russos.Que estão por toda parte. Dizem que agora a Europa está cheia de turistas muçulmanos e russos, que fazem apensas flutuar por entre os museus com suas máquinas fotográficas baratas, não entendem e não contemplam a arte, apenas querem fotos pro facebook.
Dissertam sobre a falta de sensibilidade, sobre o estresse que passam ao visitar qualquer ponto turístico, porque são obrigados a assistir aos novos turistas que compram pacotes de 10, 20 ou 30 dias ( no máximo) para conhecer 5, 6 países. “ Como se fosse possível isso!”
Apostos que eles perceberam meu incômodo, tanto que o assunto foi cambaleando, tropeçando, baixando o tom até que pairasse morto sobre nossas cabeças, como um fantasma.  Não posso compartilhar minha opinião com ninguém daqui pois infelizmente não podem compreender, não podem sentir.
Há tempos que venho pensando nisso, em até onde podem chegar as diferenças culturais, e ideológicas de alguém que nasceu num lugar que já foi considerado nada, depois se transformou em “quintal”, “horta” ou “mina de ouro”, tanto faz, e agora tenta ser alguma coisa, cambaleando e caindo muito.  Não tive como dizer na conversa  que enquanto eles desenolviam sua sensibilidade artística, seus livros e suas obras de arte, tinha gente trabalhando duro pra manter suas dispensas  completas de café, açúcar, chá etc . Tão necessários pra criação artística, dos que produzem arte, dos que se acham arte. E  que agora, os filhos e netos dessa gente que morreu de tanto trabalhar estão talvez tendo a chance de visita-los ( com muita sorte, como o meu caso). Estão comprando esses pacotes de viagem, com grandes sorrisos nos rostos. Estão consumindo a cultura que é a nobre, que é a verdadeiramente boa.  Russia, Polônia, Arábia, Amarica Latina. Pacotes super promocionais.
Tento ao máximo não generalizar, nem culpabilizar ninguém, afinal é só isso. A vida sendo vida.  Esses pensamentos borbulharam horas e horas na minha mente, como o café na minha mesa, até que viessem a desaguar nos teclados do meu companheiro computador barato.
Hoje me senti ofendida e entalada quando ouvi europeus reclamando dos turistas russos e muçulmanos (não citaram os brasileiros, mas eu fiz questão de fazer isso). Porém eles não enxergam  que essa gente só compra essa “cultura empacotada” (com tradutor), porque ela está lá, pronta pra ser vendida.  Eles a fabricam e reclamam das pessoas que a compram.
Sinto saudades dos meus amigos e amigas , que iriam ajudar a consolidar a minha pequena e inocente crítica.
E numa hora como essa que a aproximação da volta me desperta um sorriso meio que infantil, desapercebido  eu diria, acanhado .
Essa noção de territorialidade e de fronteira, possessão de terra, cultura consagrada, deve ser a responsável por inumeráveis mortes, disso todo mundo já sabe.

Mas respiro profundo e acalmo a minha alma quando ouço os versos de uma canção muito cantada por aqui: “ Terra es mi cuerpo, aguá mi sangra, are meu aliento e fogo mi espírito”.

Habitam no Universo , meus caros, consomem da natureza que não tem dono, mas que é nossa dona.  Quem é mesmo o dono do mundo?




Me despeço

Me despeço
Abro a janela e hoje me despeço do verão europeu.
Agora entra um vento frio que levanta todos os papéis da mesa e esfria a medeira antiga do meu quarto.
Os galhos lá fora se retorcem, se encurvam pra aguentar o vento,pra sobreviver na batalha que é viver
O vento faz um barulho alto, como se fosse uma fábrica, faz medo e beleza em mim, a fábrica chamada outono vai construir o inverno, tão famoso inverno.
Respiro fundo na manha ainda escura.
Há gotas de chuva mansas e geladas caindo constantemente, molhado as flores, molhando as montanhas, molhando a vida.
Nada me é mais estranho nesse lugar de aprendizado e teste, nada me é mais ruim e bom.
Fecho os olhos em prece e medito por mim, pelos meus amados, pelo mundo.
Mas aí o vento fica mais forte, os galhos de frente a mim choram mais alto, sinto o mundo tranquilo e parado, mas no fundo sei que não é assim
Fiquei sabendo de notícias, de guerras, de futebol, fiquei sabendo que tudo continua igual.
Fiquei sabendo que na Colômbia há gente perdendo o direito de plantar, de colher , de cultivar. E que os EUA estão mais uma vez envolvidos na catástrofe que é destruir vidas.
Não quero voltar.
Sonho com pessoas e cotidianos agora distante da realidade, há desejo nos sonhos? Sonho com uma aula de política e com professores discutindo.
Não quero voltar.
Vejo a mansidão do silêncio invadindo meu coração, deixo o entrar e me revolucionar de sua forma, gentil, ágil e dura.
Tomo meu café na cozinha grande sozinha, olho pro nada como quem pensa em algo de importante,  mas no fundo é só isso. Saudade, vontade.
Disparado meu coração pula com o despertador. É hora de acordar.



Disparate

Meu coração dispara
É o assombro da solidão me  rondando novamente nessa tarde de domingo
O que vai me entristecer agora?
Sei que tenho tudo que preciso
O que eu preciso?
Vou conseguir?
Respiro e o ar machuca meus pulmões
Quero parar de pensar, ver um filme, me acupar de algo que não seja eu
Mas já é tarde, já estou aqui, de frente pra mim, nesse quarto amadeirado e propício
O universo continua assim, calmo, parada, observando todo mundo dançar a dança da ignorancia
Ele nao sente pena de toda essa gente perdida na vida
A inteligencia fez tudo, deu tudo, preparou tudo e jogou seres sentimentais dentro do tudo
Bateu , bateu, sacudiu e disse: se virem. Eu estou aqui caso precisem,  caso lembrem ou caso saibam
Estamos aqui pois. Nós, o silêncio, o caos e o propósito turvo de algo indecifrável pelo medo.
Há beleza, sim e muita. Mas há olhos que a enxergam? Nem sempre.
Verdes de todos os tons, azul e branco. Faz-se distante de mim a elonquencia e se aproxima a loucura de estar vivo.
Não tenho hora, não tenho relógio, não tenho tempo.
Perco tempo.
Respiro de novo, o vento sopra bonito nas árvores desse verão frio.
As portas batem, Alguém está se despedindo, a todo tempo vão embora, e eu quase já não sinto mais dor e nem vontade de chorar.


sábado, 30 de agosto de 2014

Pro caminhar

Pés descalços, agora desnudos de segurança
Perpassam o vazio que é viver
Na completa solidao de tudo busco desenlaçar os nós da alma
Compreender os caminhos
Destrinchar sentimentos e atitudes outrora chicles
Desespero em dias sem sol
Sabendo que o que me aguarda é o frio, a neve e as arvores nuas de um inverno ainda nunca vivido
Espero na sabedoria que nao possuo reenventar o amor todos os dias
Espero desamar a mim para poder amar de novo
E dessa vez pra sempre

Espero que o escuro que agora me amedronta junto ao desespero venham a me acalmar no chegar da noite
Que o vento acaricie minha pele sedenta de carinho
E que eu reconheça cada vez mais, no olhar, a cor da alma  alheia

Quero obter a sensibilidade das gotas de orvalho
A felicidade das flores na primavera
O sabor das futas maduras
E a cor do céu

A paciencia do universo
E a calma de um velhinho sentado no banco da praça
Na tentativa real de desenrolar tudo, absolutamente tudo que ha dentro de mim
Afaste-me dos conhecidos
Acheguei-me no ouvido dos completos diferentes
Para entao encontrar alento, conforto e segurança pra voltar
Quando chegar a hora, que ha de chegar como o  primeiro raio de sol do dia
Quero estar pronta, adepta
Risonha e chorosa pra receber em meio peito todos os que já conheço como se fosse a primeira vez
Quero usar de tudo que aprendi aqui todos os dias
Quero amar incondicionalmente a tudo que me rodeira 
Quero ser forte pra dizer não
Quero ser corajosa pra dizer sim
quero penetrar no vazio do invisível pra conseguir ver
E as palavras, essas que uso, e as novas que me rodeiam os ouvidos sejam como sorrisos
Que elas invadam os meus dedos de sentimentos
De descrições e de tentativas 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Ansiedade

Esta dita moça, chata, pós moderna que me acompanha há tempo, hoje, pela primeira vez por esse motivo, está sentada ao meu lado na cama e roubou meu sono. O colocou no bolso. Me deu tempo pra pensar no que não penso e fez meu coração bater deveras rápido.

Estou criando uma atmosfera propositalmente de despedida ( chorosa, de filme). De certo para que eu faça como de costume e gosto: reveja a vida.
Mas os sentimentos que me embaraçam o cérebro estão fora do dicionário, ou são nada. Nada do qual estou me apossando pra fazer algo de diferente e colorir a vida que estou vivendo.
Fruto da casualidade, como sempre digo, eu tento me apoderar da vida, minha.
Porque esse pra mim é um dos maiores desafios, saber que estou aqui, no presente momento, no meio da madrugada fria de um inverno diferente no sul de minas, escrevendo os meus pensamentos quase que instantaneamente junto com o próprio pensar.
Não costumo fazer eu, mas estou gostando.

Hoje pensei sobre liberdade, sobre inconstância, sobre mau humor e sobre infância.
Me invadiu um desespero enquanto acendia o palheiro (escondida) que  me assustou, a música   me incomodou e percebi que não iria dormir essa noite.

Existem coisas que não mudam: a forma que minha mãe percebe e lida com o mundo ( é bom que eu encare isso logo e evite conflitos ainda mais sofridos), minha teimosia ( sim, só aprendo quando sofro na pele), e o mistério que insiste em penetrar em tudo que penso, sinto e faço; no ar que respiro, no cheiro do chá, na poesia da noite fria, no olhar do Luck.

Minha vó gritou muito agora pouco, disse que estava com medo do frio e me chamou de mãe.

O cérebro sofrido de ignorância precoce, se reduz a quase nada quando o corpo ainda precisa viver. E esse dilema familiar em que o presente se amarrou é algo pra se pensar.

Será mesmo que se eu fizer, como de fato faço, tudo diferente dos meus familiares, realmente terei destino "melhor" que o deles? E o que fica em mim, o que permanece de forma que eu não consigo tocar, até onde posso controlar o que me é positivo disso tudo?
Há coisa claras em minha criação: honestidade, garra, amor, companheirismo.
Mas há: desconfiança, desordem, medo, mágoas, desamor, rejeição, ciúmes, inveja, descrença, sofrimento e dor.

Eu amo. Incondicionalmente tudo que me cerca, e nesse momento agradeço a todas as oportunidades que tenho. Que o acaso que me deu luz seja brinde sortudo na mesa do futuro, e que o casamento dele com ela resultante em mim, refaça todos os palpites de infelicidade, que eu saiba guardar o belo e causal destino que me deu tudo de além, e que eu saiba entender os meus limites cármicos.


Amém

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Julho

Indescritível o ressoar da inspiração
latente desejo de transpor pra foro algo que está completamente abstrato por dentro

é uma tentativa vã de esclarecer os sentimentos
que misturados as emoções precisam se expressar no mundo

existe a procura, a descoberta, o amor e a morte de tudo por aqui
o desespero que reina nos pequenos caos das cidades vazias, as vezes, pode assustar

O que pessoas fazem de suas vidas quando não sabem que estão vivas?
O papel da arte na vida do mundo sempre foi desmanchador de ilusões, e pra mim ocupa o lugar do inconsciente.

A partir de mim, me abro pra voce, na expectativa de chegar até ela, correta arte sem limites e sem molduras,  sem moral e sem molde, completamente fluida em líquido de liberdade e inspiração, de dúvidas e de mistério, renasço na incompreensão da família e das relações, na incompreensão das amizades e dos amores, na falta dele repouso a esperar .

O amor prometeu nessa era vir e viver nas árvores altas do parque, de forma alcançável e invejável deu-se como razão de ser de uma época, que porém equivocada e imersa em mentiras e derrotas, falsificou a cor do amor, a razão de ser dele, e ele, perdido, voa em volta ao mundo, sendo dificilmente alcançado, e quando o fazem não conseguem mais voltar a realidade dessa sociedade que está muito doente e velha.

Tudo morre, tudo precisa renascer, como semente. E quando será então a enfim data em que essa sociedade e seus valores nojentos e fictícios desaparecerão e darão lugar ao  novo, para o desconhecido campo da criação? Que esses seres sub humanos que aqui estão no poder deixe a eterna lembrança do que não fazer, e que os novos que virão criar os novos modos, enxerguem com olhos de criança, de bondade e de coragem o que deverá vir, com total liberdade de ser o que quiser ser, sem absolutamente nada que impeça a vontade de ser dos seres.

Não monocromática  a vida se espelha na natureza pra tentar ser bela e nos seres humanos pra tentar ser justa, mas no exato momento dessa escrita ela se espelhou tanto em tudo que acabou sendo, agora, nada. E pra nós garimpeiros e garimpeiras de preciosidade no caos imerso na atmosfera, é preciso luz, luz e coragem.

" E por não saber que era impossível, foi lá e fez. "

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Noite clara

No vazio celeste que contém a noite vazia  repousa a brisa leva da solidão
Após a espera, a música e os demais detalhes, eis que se detém em mim a fome.

No depois sempre está o que não sabemos, se sabe que é

O tempo já  se expirou no deserto da sexta feira
E tudo isso ressoa como amor demais

É isso
Tá ai o segredo pra essa toda psicodelia não entendida

Amor demais


terça-feira, 22 de julho de 2014

Eis que de fato, como procurado, perco o medo do frio

Acabou 

Desde a criação desde, que pra mim é fonte de desabafo confidencial
digno de confiança para a posteriori, eu me encontro na vontade determinante de dizer 

Agora, âs 23h39 ( de uma terça feira, claro) , numa noite muito fria e quente em Caxambu, eu ressalvo o pensamento de antes
No cinema lindamente decorado de fortes de lembranças de mim 
No filme que arrancou o ar dos pulmões quando demonstrou o que é música

Na vontade que tudo fosse ficar bem
espero entender as histórias contadas e assim por dizer estar apta a viver 

A minha amiga me contou que seu namorado tem esquizofrenia
Hoje, subindo o morro para ver o por-do-sol eu senti muita falta de ar

Aspirei o vento frio para que o ar rasgasse meu peito e esperei que a dor passasse

A vida é de fato muito interessante
sinto-me aqui, no agora, prestes a entender algo, mas depois esse algo foge de minhas mãos e me sinto de novo perdida, em busca do tempo perdido

Definitivamente não tenho talento pra isso.

  

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Lá pra lá

Não tem pressa
isso tudo é só porque eu sou dona do mundo

No resguardo do abraço está sempre a espera de quem se vê transbordado de tudo
Da imensidão do desejo de mais está guardado o amor da revolução

As vezes quero palavras bem ditas, gritadas
despertar o respeito pela vida que sempre se perde na dor de viver

Mas as vezes a cerimonia me consome, me grita, me pede pra ficar
Na calada noite solitária, aprendo a entender a solidão das estrelas

Na morte vai repousar a luz e o brilho que um dia teve em vida
Nos versos soltos da ritualidade está as mãos da arte

Não que pra mim o sono represente calma, a falta de sentido do olho aberto, disposto a vida
Vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida

Já não consigo para de escrever sobre o que busco mais que a vida vida vida vida vida vida vida vida
Não estarei aqui pro fim

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Pra amanhã


Agora já é um pouco tarde
A tormenta e os versos perfeitos que me veem de madrugada já se foram
Eu escrevi muitos livros em sonho, eu , eu mesma.

Durante um filme artístico me imaginei gritando versos de desilusão
Falando claramente que a minha arte era a manobra das palavras-sentimentos
Mas acordei com o coração disparado em meio a um tempestade de escolhas

Naquela tarde eu escolhi o silêncio, o afastamento, as cores e as músicas
Eu escolhi o conforto e a falta de exemplo
Enchi o saco da vida e fui caminhar sozinha

Agora é tarde, já não espero o por-do-sol
E os pensamentos se enganam e desenganam dentro deles mesmos, perdidos, sem consolo, desesperados
Amanhã nada vai passar.

Da espreita névoa branca da manhã, do calor do sol e da preguiça
Despeço-me de mim pra nunca mais me achar
Quero o vazio de não ser lida

terça-feira, 13 de maio de 2014

Lugar


Inestimável
Afável
Trabalho digno

Atrás da parede está o despertar
Na fumaça do chá está o abandonar
Do encontro com a maldade vejo e regogizo da morte

é esperado que os que não a entendem tendem a ter por ela certo apresso
Mas é difícil de acreditar

Na bondade do dia calmo
do ventre
do abraço

Da saudade

Sei que se é mal, é porque não sabe o quão bom é ser bem

Sei que perto de mim tentas tirar a razão e a verdade, mas em mim repousa  sã a brisa do amanhã e espero o tempo que fará por tudo no lugar


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Arca


De repente vejo a revolução pronta
Estourada na pele daqueles que já viveram , na minha frente
Vejo no reflexo do espelho estátuas de águas agitadas, com desejo de bem.
Essa noite tive um sonho de amor

Sonhei com brizas leves e ventos calmos e gelados
Sonhei com a perda da busca
Com a calma da alma

Essa noite eu sonhei com um céu azul forte, com uma oração segura e com gratidão
Esperei e esperei acordar
Mas ai descobri algo de muito valioso.

Abri os olhos já sem coragem de ver a realidade
E vi a vida que era minha
Percebi a minha existência, com o cheiro e o estar

Vi o momento em que me encontrava corpo mente e espírito
No radiante universo momento it
Recebi a graça de estar e de poder lembrar de mim

Fiz poesia comigo mesma, e reconheci o bem estar
Na parada da busca: a verdade
Na solidão bem quista: a realidade
Na poesia lida: a imagem
No sonho sonhado: o desejo de sintonia com a mente e a idade


A procura pelo meu destino ainda continua aqui, viva porém calada do desespero contido na ignorância.
Sonho agora, mais do que nunca. Renovaram-se os sonhos, trocaram as vestimentas, as cores, os sotaques e os idiomas
Trocaram-se as amizades e as roldanas da vida.




sexta-feira, 25 de abril de 2014

É Proibido Proibir



Ela disse pra ele que o objetivo da vida é viver
e isso inclui não encurtar
não morrer

Então é o juízo final
você escolhe ficar ou fugir
O sol, vai continuar lá, brilhando quieto e complacente
maldito

A gente não pensa, se envolve
por escolha juvenil escolhemos que o amor há de ser eterno novamente
e por consequência disso  prosseguimos
nos cansando, falando, discutindo, odiando, raspando no chão a pedra finita chamada esperança

Todos os dias quando acordava, ele olhava a luz e pensava que já estava acabando
que a barbaridade que assistia todo dia não era dele
nem de ninguém, era do mundo
Todo dia ele tentava achar razão pra não desistir

Mas a vida nos consome, não perdoa e nem faz justiça
Ela bate forte no rosto do pobre
Ela embebeda de ignorância e mentira a mão do armado
Que com a farda se sente premiado

Mas o conforto está, como sempre na inspiração
que produz a arte
As formas de expandir  com o medo pro além do real
pro ficcional

Pra teatrar a música do quadro no palco do show de espetáculo
é preciso força pra acreditar e pra amar
Amor que um dia acreditamos ser a solução
Mas na verdade ele só serve pra nos proteger da desilusão, da realidade.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sepulcro musical

Divisão do bem querer em faces erradas
Espero de ti todo o amor que não podes me dar

Que o nosso tempo morto e incerto nos dê a sabedoria de viver o já
de ler o livro na rede depois do jantar
de falar e falar e falar

Sobre os romances antigos, sobre a dor da vida, sobre o escritor cubano que no já não se encontra mais.
Que a rede que balança levando o tempo em si leve também o mal
que só fique o bem querer e a esperança de recomeçar

Nós, juntos ali na varanda, olhando pro céu de encontro as  montanhas
possamos compreender a leveza dessa menina que se chama vida
que brinca com todos e ri de gargalhar

Ri todo dia do café quente demais
do latido alto
do tropeçar

O velho encostado no portão retém pra si a calmaria da manhã fria
diz que não se preocupa mais com a vida
que é amigo maior do tempo rei e que a cada nascer do sol  também renasce

Que nós, juntos ali na varada, possamos compreender o amor
a paz e a luta
que os livros sobrepostos na estante, não empoeirem o pensamento jovial
de quem pode guardar dentro da lembrança apenas aquilo que  faz bem e não reluta.



Chuva Ácida

De tão bela, ressecou a vida

Transformação necessária, sofrimento adquirido com fervor
transparece o peso da cruz de quem leva a verdade
faz sobre a ignorância de quem não vê o outro

de quem perdeu pra vida a batalha de força
de quem não quer mais lutar

Não quero carregar o bruto pesar do sofrer alheio
não posso me servir de consolos vazios
preciso saber que o que tem pra viver é a realidade

Não subestimo o desejo inconsequente
de quem quer pra si todas as formas de felicidade
da incerteza, da desconstrução, do inconcluso
de tudo eu quero mais a banalidade

Do balencê da água fria sobre as pedras
desfaço-me me lágrimas medrosas
futuro nenhum é verdadeiro sem que eu sinta o presente já em  mim pulsando
to vivendo a tristeza de imcompreensão alheia
da falta da verdade
do amor em pequenas caixas perdidas
Sepulto a dor que em meu peito agora sinto
Com o badalar de sinos fúnebres 
Que se estilhaçam num misto de ar e asco
Respirar profundo 
Para que os pulmões sobrevivam a fumaça dos dias
Cinzas
Anuncia-se o azul de um novo céu
Estrelado
A lua mansa cresce
Gerando em seu ventre 
Qualquer coisa cheia
Esvazio-me então
de todo o ar e asco
Para que no ventre do meu ser 
Possa brotar qualquer semente nova 
(de mim mesma)
e crescer mansa, como a lua cheia
Que se sepulta sempre
E renovada chega. 

Talita

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Essa janela me sufoca
O contorno da arte perseguindo a sanidade 
A musicalidade do espírito sedento de vida

Não há nada que se possa fazer
Abrir os olhos do céu para que ele entre em conflito com os da alma

Me mostra por completo no grito da garganta

Triste o fim da vida de um santo

Aquele que não pode lidar com a realidade, fica triste, patético. 
Eu quero compreender a cor do que já foi dito.

O incompreensível do dom inesperado

Saia da alegria burra pra dentro do eu, calmo. Eu verdadeiro, desconhecido, querido, fugido. 

Artista não ouvido briga, dá atenção ao copo iludido de carnaválias.
Pra além de mim, repito dizeres na espera de deixar explodir pra fora de mim a alma-céu presa no quarto frio do meu corpo e do seu. 





quinta-feira, 10 de abril de 2014

Febri



Calor
quentura
bafo quente
gostosura

O  insipiente desejo de ser 
alguém que se queira ter
pra além do amanhecer

Rimas fracas na calada
espero também ser a madrugada
do acalento corporal

Quero pra você o sabor do meu beijo
no esfriar do arrepio o maior desejo
o sopro da vontade de morrer no instante


Pra mim quero o tudo que contém o nada
o braço repousando no ar
as pernas postas na sacada 

Quero o olhar limpo das estrelas calmas
o vazio do céu escuro
o silêncio do breu solitário



O barulho do mar sussurrando no meu ouvido
poesias de memória esquecida no tempo
quero o amor da água fria
me deixando mágoa



quarta-feira, 2 de abril de 2014


Hoje eu tenho que falar da minha dor

Como é terrível saber que nada vai fluir certo
como é triste perceber que só posso contar com o intocável, com o incompreensível
como  pode ser tão provável numa mesma vida
a dor de 100  em uma só alma

Mas tudo isso é mentira
é improvável
é choro de criança desambientada
é chororô

Eu quero fechar os olhos na brisa fria
compreender o movimento dos pássaros
esperar a vida passar
e rezar

Quero saciar a sede profissional com a compreensão
quero despertar nos outros a dor dos outros
quero devolver-me a terra como quem não precisa mais de si.
quer entender  a morte
quero amar.

sábado, 29 de março de 2014

Caxambu

Seu outono é tão triste
que no inverno o amor quase morre
com uma respiração desapercebida do pensamento

Minha relação contigo é inacabada
espero ter de volta as tardes da infância
em que eu depositava em você a raiva

Incompleto, importuno e vazio
a vida que tive aí foi, de fato, embrionária

maturei os contornos de um ser que foge
que arruma desculpa
que vive na calçada

Entreguei-me a paixões insanas que me levaram pro lugar onde estou
pra você não volto nunca mais
Aí você me roubou






O saudosismo da minha parte
Dos leões que não morrem todo dia
Compreende a vida desapercebida
Neste lugar tão sóbrio e tão hostil, casa

Os que perto de mim chegam
Descobrem logo a cor da alma
De quem esta disposto a conceber
E a realinhar a nossa palma

A arte da plena poesia
Nos dedos que quem não a conhece
Parem e saltam entre as palavras
Desesperados por rima 

E a que a dor deixa marca
Não é desistência nem alegria
É o querer de quem afaga
O verso que tanto pressentia


sexta-feira, 28 de março de 2014

Pra além do que se expressa 
A poesia é minha arte
Minha maneira mais sincera de falar daquilo que sinto

Saia e não bata a porta
O amor não gosta de barulho 
A espera

Há um menino a esperar.
Os números humanos insistem em andar, sem parar.
De um lado parar o outro, sem saber pra onde ir.
Ninguém foge aos padrões, apenas alguns poucos - moribundos-, inconstantes almas, passam despercebidxs também.
A coloração, múltiplas de infindas cores, nas roupas se tornam corporais, intrínsecas à personalidade fazem parte da identidade de identificação, mesmo que esta seja falsa e ilusória.
Carências se fazem notar à medida que vida grande passa vazia, que tem no seu lugar a não origem e o que não é de ninguém.
A experiência se tornou falha quando por um acaso se percebe a perplexidade de indiferença.
Algo este errado aqui.
Cada um vivendo sua medíocre vida à espera do outro que nunca chegará. Ou melhor, à espera de respostas que nunca chegarão.
Os olhares, atentos e repetitivos, buscam algo de interessante e anti-monótono.  Não acham.
Através dos passos rápidos, se imprime a pressa da resposta. Ninguém aqui sabe onde está.
Não há propósito algum em não ajudar.
Os óculos escuros disfarçam olhares cinza, escondidos dentro de si mesmos.
Mãos e pés cansados, peles suadas, vidas amarguradas, não param de andar.
Conselhos, discussões, vozes altas, absolutamente em vão.
O espelho da vitrine reflete corpos sem vida. O ideal nunca existiu. É só consumação.
Dentro de seus pequenos grandes mundos, rodeados de desconhecidos, outros sozinhos humanos  falam ao telefone: aparições de sentimento.
Compras e presentes; família versus preconceito. Fictícios personagens de uma vida talvez real, talvez boa.
As crianças são assustadas e eu as entendo.
Anéis, tatuagens, brinquedos, celulares, bolsas, saias e sorvete andam pelos corredores do shopping, gritando.
Fones de ouvido tampam o buraco pelo qual agora não entra mais nada, diferente de antes que entrava muita coisa, muita merda.
A música ouve o silencio e fala o que se sente sem que precise explicar.
Viagens marcadas, esperanças mortas, dor e alegria no café da manha.
Um livro acabado, um outro  começado, a dor de não saber dizer não.
A dissonância da vida, os caminhos-labirintos,  nos perdem depois de achados.
Ternos no verão, moletom nas mãos, gelo no coração.
Nenhuma risada verdadeira.
O som da máquina de suco esvazia o pensamento, a mente limpa liberta o tempo. Ouviu seu nome? Mas ninguém te chamou.
Quem é galinha pintadinha?? Um dia em branco e muito sono.

À espera de achar o que não procuram, todos erram e ninguém quer ajudar.
Vômito 

O que me interrompe do devaneio ensandecido de questões a serem respondidas é a explosão de romper o laço de uma conversa falsa ao telefone.
Por que me procuras?
Qual é a razão de vivermos imersos a tantas incertezas e dúvidas despregadas de verdades absolutas e prazer?
A raiva que cativa a todos os sentimentos é a pólvora da alvorada de mudança.
a revolução que se faz no peito de quem já amou inspira qualquer poeta a escrever sandices das mais tolas com a vontade de expressar desejo profundo de não passar mais por isso, vontade de não ter se identificado com o pensamento ou com o fato inpirador.
A tristeza que nos toma as terças a tarde é a mesma da morte, da vista do mar e da montanha, é a mostra da profunda barreira da humanidade a se ultrapassar de vista. E a preguiça contendo dentro de si um planeta inteiro de vivacidade.
Depois que se volta pra casa se entende a dor de quem não se encaixa em lugar algum, se entende e se sente o porquê de tantos desejarem desesperadamente amar e serem correspondidos. De escreverem e serem lidos, se rezarem e serem atendidos, de vender e serem pagos. De respirar e serem aliviados. O sentimento inominável que sinto me transborda de vontade de ir além de tudo, para que o nada que existe em mim se tranforme em apenas vento.
Para que esse nada(vento) me invada e tome o espaço do tudo que te tem e assim acabará a vida.

O esboço do sentimento misturado com a vida mal interpretada leva os dedos a exaustão de compreender o cérebro torto.
Já chega por hoje.
Na poesia escondida na janela aberta. 
Descalça repouso no pouso da janela aberta, por onde o vento gira, gira.
Mesmo que artificial o desejo sempre está vivo, posto ou não na juventude que carrego, sei que é pra além da hora de viver. 
Fecho os olhos na tentativa de nos sonhos alegrar sorrisos cansados. O meu se mantém assim, neutro e incansável
Os nós de nós 

O tempo curto
E nós, 
Sentados a discutir egoísmo 

O tempo curto
E nós, 
Ditando individualidades
A agredir o coletivo interno

O tempo curto
E nós,
Distante, ignorando o medo
À vontade de amar

O tempo curto
E nós,
Sem entender os nós
A transitar pelo silêncio constante
De nossa solidão

Agosto/ 1999
Rogério Manzolillo
Roldanas do ventilador
ventilando o ar rarefeito de preguiça, em mim
outra coisa se constrói do lado de lá do estado de bem estar
pra que querer sempre estar bem?
se é nos momentos de introspecção que encontro as incertezas da verdade
que pra mim são como quando eu descubro que na verdade nada tem sentido, e é tudo pra vida passar de alguma forma 
e o que fazemos para que ela passe mais serena ou agitada é tão insignificante quando o sopro do vento, me acalmando. 
brilho do céu, brilho de mar, brilho do amor incontrolável, glitter da favela que sofre, pulmão e ventilador. 
Tardes de terças-feiras sempre me intrigando.
Sobre a sombra do clichê repousa o vento da discórdia
Pensando em consertar os erros que não cometi me perco dentro de mim na busca da verdade
É verdade que o vazio que invade na manhã da madrugada é sóbrio
É verdade que o querer ficou confuso 
Que a solidão perturba apensas o coração de quem não a quer
Que o sol que ferve e o mar gelado limpam a alma dos pensamentos ruins
E que para mim todas as terças feiras da vida hão de ser homenageadas.