Acalento
brando, seco, quente
Quem és
tu que eu sei que é?
Quem és
tu que virá a ser um ser que é?
Pra
mim, meu, pra nós ?
Na
flutuante corrente do ar
Que
pousa nas folhas agora vermelhas e depois em mim
Sei que
respirastes do mesmo oxigênio
Sei que
é nele que está sua vida
De tudo
que me destes, do amor e da poesia
A
presença que marcastes é de tudo o que eu mais temia
Pois
agora estou livre, de fato livre, pra voce
Agora
me despeço de tudo que desaprendi fazendo errado
Aqueço
o quarto com a lembrança de outro quarto
De
outro tempo que passou rápido
De
poucos olhares trocados , de ligeiras mãos dadas ao fim da noite
De
beijos apressados e cansados de falar
Percebo
a bestialidade do acaso
O
espelho das folhas, das flores e das árvores
Que me
refletem coloridamente acompanhada de mim
Sozinha
na marcha bendita
Mas não
por todo o tempo que resta
E tudo
que desaprendi aqui é pra aprender com voce
E tudo
que sofri aqui é pra me alegrar com voce
E todo
medo de deixo aqui é pra encorajar com voce
Pela
primeira vez agora
O suflo
renovado de consciência e coragem
A
certeza de quase nada, esse nada que muda rápido
E o
amor nas mãos prontas a enlaçar nas suas, mansas e poéticas mãos
Mãos de
viola, mãos de muitas outras
Mão de
trabalho, de choro e de dor
Mãos de
abraço, mãos de pressa
Mãos
que entendem, mãos que esperam
Mãos
que recebem do mar
A carta
que envio no tempo
O
sorriso preso no abraço
O acaso
metido no cansaço
E a
certeza do reencontro no verão
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