Eu não sei qual é o problema de dizer não e ver tudo despencando céu a baixo
e nós no desconforto de receber sobre nossas cabeças a sentença de covardes
aquelas nuvens coloridas sempre passeiam as quatro horas da madrugada de terça
e olha
nem os pássaros mais espertos sabem disso
porque sempre dormem
independente
é como um contrato de sono estendido no decorrer dos anos
eles possuem o dia, mas perdem a noite
Eu, já não possuo nada, nem o dia e nem a noite
respiro com dificuldade nos dias de frio e nem falo alto quando preciso
caiu um pano escuro esses dias pela sala e mesmo o vendo escorreguei. Foi uma dança leve e fluida, meu encontro com o chão foi suave e sedutor, minhas mãos inseguras tateando os tacos, a temperatura morna que o sol deixou, e eu lá, meu corpo com os ossos arredondados, encostados na pele que encostava nos tacos de madeira e verniz.
meu rosto frio, minha boca entre aberta meus olhos fechados na sala vazia
tinha um meio sorriso também
um sopro
Naquela enseiada de amor, nós reviramos os silêncios ... e a política vai mal, né meu bem?
Reconheço que o caos que se segue nunca foi visto antes
tem muito vendaval saindo da prisão da mentira
nossos reconhecimentos terão de ser usados baby
e nossas promessas também
anoitece sempre quando é hora
e damos sempre o que precisamos dar
E agora faz dois dias que chove e esfria....
não encosto tanto assim no chão mas continuo acreditando que é melhor ficar descalça, sentindo
sentindo o chão, o limite, a realidade, o que me cabe, o que me transborda, o que me escapa e o que me pertence. Escolho mas sempre olho de lado.
Tua dança me encanta, justamente porque sei que ninguém pode acompanhar.
eu escorrego porque sou feita de sublimes porções de ar e fogo. Então eu passo e entro.