A gente precisava estar fechados na sacada do prédio quando o mundo caiu lá fora
me lembro dos seus gritos e um ar de que alguma coisa muito importante tinha se quebrado pra sempre
Eu tenho saudades dos tempos em que eu batia com o pé mais firme no chão
Quando descobri que a arte me elevava pros outros mundos eu quis primeiro ver se merecia tal proeza do abandono
Quis saber se conseguiria mesmo tirar os pés do chão e voar lentamente pelos morros quentes da cidade veraneio
Eu não quis me declarar ilusoriamente perdida de afeto e compreensão mas recusei o teu amor
Eu vi cigarros matando flores cotidianamente e nós sozinhos, sem perceber pra onde a vida ia, nos tremendo de medo
raspando o que havia de esperança pra depois mergulhar numa lama de incertezas e desconfianças
Eu estava parada no meio da rua quando a lanchonete em que voce lanchava fechou e eu te vi levantar e sair calmamente pela calçada suja sem querer encontrar ninguém e na espera de nada
Eu não consegui correr pra lugar nenhum naquele momento
Respiro essas lembranças de uma vida que parece não ser minha e os dias vão se embaralhando como as horas e as missões impossíveis que assinei em contrato antes de nascer
Não sei agora o que fazer com essa necessidade de ser feliz e com calma viver
Não vejo absolutamente ninguém que esteja conseguindo e isso é apavorante
Seja pra onde for que os versos estejam correndo
eu quero deixar registrado que mesmo com medo e sem dormir eu gosto de todos vocês que habitam esse mundo
que eu reconheço a beleza que há em tudo e principalmente nos sonhos
Eu não quero acreditar no desamor que prevalece
Minha alma-flor anti-estática pratica demasiado afeto para se prender na frieza da imensidão do silêncio que carrego em mim
Naquele dia, despedaçada pelo nosso fim eu cortejei a minha defesa, que armada quase me deu um tiro
e de ponta pé eu fui descendo as ruas montanhosas da cidade, peguei uma carona e fui embora
até hoje estou indo
Até conseguir voltar pra dizer que tudo isso me pertence
e que nesse momento eu não preciso de nada que não seja o que eu já tenho dentro de mim.
amor meu pra tudo que vier.
Nós e o universo somos um.
sexta-feira, 22 de julho de 2016
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Aahhhown
Tem um assunto parado sempre no ar pra ser acessado quando a mente respira fundo numa pausa não programada no meio da vida, no meio do dia.
As luzes que invadem a pele através dos olhos são semelhante aos sóis de inverno que brilham sem esquentar.
Existe uma certeza mansa que nos acompanha sem que tenhamos consciência dela.
Existe uma proposta de tarde serena, papo descontraído e abraço forte.
A menina não sabia que quase tudo que pensava era inútil, e quando descobriu, decidiu sentir quase tudo de uma vez só pra poder se livrar instantaneamente das impurezas dos pensamentos viciados .
Quis correr pro tempo voltar.
Não deu muito certo mas isso fez com que ela aprendesse.
Aí se afogou um pouco em tempestades de lágrimas atrasadas que por estarem atrasadas pareciam vir com mais força e não respeitar o tempo do sopro do ar, ou melhor, o tempo que o ar leva pra entrar, inundar os pulmões de vida, e depois sair.
Ela se viu no próprio mar, agarrada numa proa despedaçada de incertezas.
Ouviu uns versos de uma música perdida no tempo e pensou ser tudo passageiro.
Um dia a gente aprende. Um dia a gente confia na gente. Ela ria e chorava.
Tem ainda esse cotidiano que fere, esfola e inibi a espontaneidade de florescer nas manhãs cheias de beleza.
Tem uma bela promessa pulsando no meu coração de vida melhor, vida melhor, vida melhor.
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