segunda-feira, 25 de maio de 2015

Voz

Arte do azar da resposta
arquipélago recheado de incertezas
resposta rápida a mente desesperada por dizeres incólumes de sofrimento

Queria que você tivesse me dado você pra mim

eu descubro na experiencia que me trazes que a paixão que sinto é desequilibradamente enlouquecida
não sei de onde vem esse atual descontentamento com o ar que respiro
essa nuvem densa pairada de paixão na sala da minha casa

no quarto ela repousa mais baixo
perto da cama, palpável pelos olhos que não dormem mais, desde que te conheci
é tudo meu isso que vivo

relembro risadas rápidas sem graça, sem força
com medo do que representa a inconstância de poder não te ter

voltei a fumar, perdi diversas vezes o ponto, do raciocínio, do espanto
para não contar das vaidades desfiguradas, desperdiçadas, caídas pelos espelhos dos elevadores que entrei

pausei a voz calmamente no silêncio
e quando sua resposta veio não consegui sentir absolutamente nada
o vazio completo do sonho de domingo
do sol vermelho-laranja que voava sobre o mar agitado da Baía de Guanabara

a cima dos quiosques inquietos de sons
em cima de mim, do meu peito apaixonado pela incerteza
pela surpresa que você representou

atiradores mascarados de moedas
fontes exorbitantes de falações incrédulas na vida
eu deixo você ir só pra te ver voltar.


domingo, 24 de maio de 2015

Relatos perdidos e repletos de tudo

E na segunda-feira desvairada
A paz pousou na mão da cigana
E quando os dias foram passando
Ela foi perdendo os medos de criança

Foi pouco a pouco se despindo da desconfiança
Foi acolhendo a dança
dança da vida que chegou pra tocar a música da eternidade

Sim, minha senhora
não tem nada de errado com a sorte
Sou bruxa

E passos firmes foram se abrindo ao ponto de apenas 3 passos atravessarem anos
E os sorrisos crescendo no corpo
Se emaranhando nos braços, nas pernas, nos olhos e nos abraços

Tudo agora era riso alto
Inconsequente
Quebrado e molhado, engasgado
As vezes sem dente
As vezes amordaçado
Sofrido ou concertado
Mas eram sempre sorrisos

Relatos de um caderno perdido na terra e achado no tempo III

Agora da janela do trem dessa cidade que não sei o nome
vejo vidas emaranhadas
Amarrotadas de sonhos
sedentas de verdade
preocupadas e com medo do amanhã

O trem continua e vejo
crianças correndo
Emboladas entre bolas e palavras
cheias de desejo e cores
fazendo jogos com a tristeza
enganando a monotonia
perfurando sorrisos falsos
com a verdade de uma gargalhada

O trem para na estação
vejo abraço sujos de romances
filmes em cartaz
desprezando amores e dores
Respeitando o ritmo natural das coisas

Revivo

Relatos de um caderno perdido na terra e achado no tempo II

Há uma poesia inconsciente nos passos humanos apressados
Nos cabelos penteados
Nas pernas cruzadas
Para os que estão tentando, pros que estão conversando
Para os que perderam a vergonha
Para os que estão curtindo a vida, a tarde azul dessa terça-feira
Para os que estão descontentes
Há vida e histórias infinitas
acontecendo agora

Decidi engolir a fotografia que congelou meu momento
Decidir pousar meu olhar e ouvidos no meu eu que espelha meu redor
Meu coração está derretido em saudades
São inúmeras as páginas da vida da imaginação humana

Fumaça que se esgota com o vento do tempo
Palavras repetidas
Escritas cansadas das mesmices cotidianas
Passos largos, envergonhados ou apressados,
Ruas novas, brisas leves, vento frio
Mãos dadas, palavras sussurradas
Abraços fortes de despedida
A verdade que pousa como pássaro na janela
O momento exato de dois olhares que se cruzam entre tantos outros

A multidão que se desloca, vazia, desconhecida.
As mil possibilidades de  amor
A calma do café que esfria
A arquitetura singular de cada povo
A serenidade e o silêncio do coração que começa a compreender a vida.


Relatos de um caderno perdido na terra e achado no tempo I

Pra capital

Calma!
Vou fazer meu ato político, assim que terminar de jantar.

Vou te mostrar, te desafiar. Nada de desconcertos e desenganos, é só amor e dor. De tudo que eu sei falar.
E quando o sol bater vai tudo virar luz, vento e mar

Calma!

Eu não sei escrever poesia, nem conto, nem história
Também não sei interpretar. Não faço música nem toco instrumentos. Nem pintar nem rezar.
Escrevo rápido, como uma caligrafia arrastada, inconstante, você não pode ver.
É tudo meio que já.

Sou fruto da pressa com a vontade.
Me sinto atrasada mas não perdi o tempo.

Vou aprender a deixar o tempo acontecer e passar.
Vou respirar, olhar, sentir, perdoar, entender, acalmar, aquietar, AMAR.

Vou atentar e escutar com atenção de neta e ouvidos de primeira vez
O barulho que o silêncio provoca em mim, todos os dias.




Relatos de um caderno perdido na terra e achado no tempo, Paris

Desapareço como para aparecer em mim
Destruo tudo como para reconstruir
Abro o recorte da vida em branco, faço viagem
Fecho os olhos e já não estou mais aqui

A descoberta parte do princípio da total ignorância da vida
minha total insensatez  contemporânea rouca
a respeito do significado de tudo isso

Desisto do irremediável

Na chuva, na paisagem, no sorriso
No sol sorrateiro que invade o quarto na manhã de terça
está a beleza da minha vida, porque eu estou viva

E de repente, no sopro do óbvio, reconheço-te.


Pausa pra vida.



De tanto apagar a luz da alma deu-se por encerrado o dia
Fechou-se a porta do sol para nunca mais voltar
Qual é o tamanho da sua dor ?

Você pára em mim com a impertinência do seu olhar e eu não tenho mais pra onde fugir

Fluidez

O meu sorriso ficou contínuo no rosto
O roubei das calçadas desconhecidas por onde caminhei
Com meu amor infinito preso no bolso, claro.

Ainda não está pronto,
todas as relíquias estão presas em caixas de emails
Desconcertante vida.

Ainda aqui no vazio do agora, só me resta o já.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Poética inconsequente

Pra'queles corações murchos
meio vazios meio inseguros
sei que tá difícil respirar

Momento da terra
influência da lua
consequência do desamor
não sei onde que a gente parou

Na culpa que não pousa em nada
sei calada
que o mar continua a nos esperar

Mergulhemos na calma da água de um dia de sol
pra ver se as esperanças renascem
mesmo que de um girassol
mesmo que do nada

Respiremos fundo, mesmo que doa
voemos em asas brancas
irrefutáveis flores caídas
dores amanhecidas
e não deixemos  a esperança perdida

Encontro com o que faz sentido só acontece
quando saímos pra buscar o porquê da contra-mão
te para um pouco no andar
e olha pro lado
pro olho do seu irmão que também tá a caminhar

E compreende que sozinhxs nada faz sentido
que a razão só pode ser de todxs juntxs
Num passo contínuo
de olhos fechados para o infinito