quarta-feira, 25 de março de 2015

Parâmetros em R

Repasso o impasse embaçado de nervoso e desequilíbrio
pros órgãos frágeis de desânimo e de dor

Reconheço com o olhar brando e as vistas cansadas as pessoas iguais a mim, desvairadas no descanso do terror
Refaço as vozes roucas do passado morto e dou um nó nos planos de mudança.

Reduzo a esfera a plenas fisgadas de amor no estômago escorrido de rivalidades vãs
Ramifico a morte em inúmeras possibilidades de descanso  e de trabalho e não deixo que a paz chegue.

Rio sem graça de pessoas sem graça de piadas sem graça de vídeos sem graça que insistem em me mostrar, em me fazer olhar pra queles desperdícios de ar, de mim.

Reestudo a fragilidade iminente em cada ser humano esguio e repleto de pavor.

Reescrevo as cartas de amor, porque ninguém é feliz sozinho.
Rasgo os extratos e depois bebo um chá preto, como quem vive de verdade.

Eloquência

Voz aquecida do calor da manhã
Peito aberto respira desmedidas esperanças
Mãos envolventes desfazem nós emocionais presos na dor da falta de amor
O vento passa pelo espaço vazio
espalhando a vida que mora no oxigênio que respiro

No azul resplandece a vida que habita no mundo.

É por isso que é azul.
É por isso que é vida.

Porque abre e fecha os pulmões involuntariamente, como o contar dos passos dos  pássaros no domingo.

Porque se regeneram no abraço do amigo que não viam há tempos.
Porque responde em voz alta ao chamado da presença, do momento e do presente.

E pra não ficar divagando sobre o tudo que existe no nada, sobre as esquizofrenias universitárias, sobre os desamores e as opiniões.. reclamo o direito da calmaria da noite clara, do dia cinza, do chá na mesa, da música boa, da conversa arrastada, das mãos dadas no caminho pra casa.



segunda-feira, 23 de março de 2015

Porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz

Auréola apagada de refluxo vital estragado
Na calada da dúvida voce me pegou

O amor em mim é latente de anti calmaria
É a perseguição da sua demora
É seu esquecimento queimando em brasa nos meus olhos, na minha cara
que não quer ver que eu estou enganada

Naquela  firmeza que se apoia o seu olhar
Meu impulso desconsertante de paixão invoca o medo
Medo de ser tudo errado
Medo da miséria de um amor pequeno e rápido, como esses de revista

Não quero voce perto de mim por nada além de pura necessidade da minha presença
Não quero voce me mandando nada que não seja o ímpeto do seu desejo gritante pelo meu corpo
Que sua cabeça esteja buscando a todo momento solução de como me esquecer, com a minha está.

Que suas mãos me procurem na madrugada, por puro gesto incontrolável de amor

Que nossas bocas só se encontrem quando não for mais possível controlar



E que sua demora englobe o medo de se apaixonar mas que não seja tarde demais pra eu me entregar


quarta-feira, 18 de março de 2015

Saída

Disserto agora, mais uma vez, não como novidade, sobre mim
Sobre esse eu, disfarçado no escuro da alma, não espelhada no mundo

Assunto desgastado de uma mente que caminha devagar pelos caminhos de pedra da vida
Na espera que me encontro
Nas falhas que cometi
Na ansiedade que me consome

Esta clara e cansada luta contra o que é velho

Minha tendência leviana pelas mesmas coisas
Meu humor inclinado pelo mesmo gênero
Meus trajetos cravados pelas mesmas dores

Na insistência de preservar a essência do que acho que diz respeito a  mim
Talvez resida a não satisfatoriedade com aquilo tudo que não vem pronto
que não é fácil. Ai meu deus como é difícil.
Alias me parece muito impossível nas tardes de sexta feira controlar-me

Pra não sair pelas ruas bêbada de revoltas e histórias
Indesejando  o espelho que que me soca a cara todos os dias
Manchado de lamentos e de torpor

Mas aí vem esse sol realçando o brilho das folhas das árvores que ainda vivem
Ainda pairam por sobre as ruas de asfalto quente de fumaça e pressa
Vem o vento lembrando que o pulmão existe por uma razão de inóspito esquecimento
Vem a calma da manhã me lembrando o motivo das coisas existirem


segunda-feira, 16 de março de 2015

Cartas à uma velha amiga

Sua poesia é tanta que transborda meu computador
Inunda meu quarto
Me afoga na alegria do ser sua amiga, de ser sua.
Continuo flutuando, desde os últimos 2 meses.
Oscilo muito, é verdade. Mas não me dói mais ter que acordar a cada meia hora para não me perder de vez dentro da minha mente.
 Não se desculpa pela carta, sei que é difícil escrever carta, a minha última foi como um parto.

Não mais estéreo a minha alma pulsa carregada de cor
Não inconsciente a minha dor reside calma, como uma pedra larga dentro de um oceano imenso de paz.

E as ondas? Essas reviram meu mundo de náusea e sofrimento, mas são tão lindas! As ondas.

Agora mais largadas, balançam no meu mar,  renovam espuma branca de beleza.
Compõe música pro meu olhar.

E o corpo, esse misterioso braço da existência , agora compreendido, descansa o fardo da beleza.
Caminho a passo pleno- flexível ao vento- reconhecente do amor que há em mim.

E no meu abraço está a força do bem querer.
E nas minhas mãos o poder do trabalho transformador.
Nos meus ouvidos a escuta atenta.
Na minha boca a palavra que cria, a energia que vibra pra nos meus olhos demonstrar tudo que ganhei caminhando em direção ao infinito presente.

Despertador 12/12/14

E por mais que ha muito tempo um despertador me acompanhasse, mesmo que diariamente, eu nunca estive acordada.
Meu despertador sonoro gritante das manhãs sonolentas, me retirava do estado de inércia " em pausa", para me colocar no estado de inércia "em pé".

E quando vejo as fotos, vejo a vida que faltava de  mim.

Eu escutava diálogos, participava de muitas conversas, mas jamais soube de fato, me expressar, jamais soube ouvir.
Eu via meus amigos e amigas, minha família , meu eu no espelho de qualquer lugar, minha cidade, meu país, mas não os enxergava.
Não me deixava sentir a vida. Porque não sabia como fazê-lo.

Porque  verdadeiramente é preciso reaprender.
O segredo as vezes é andar de olhos fechados, eu juro.

Num impulso vital de coragem e curiosidade, eu saí do meu lugar e fui ocupar o mundo. Não que isso seja um depoimento, nunca será. Nenhum ser dominou as arte das  palavras ao ponto de fazê-las sentir o que dizem. Eu não o farei.

Carregada de sorte e amor, me vi refletida a cada olhar que recebi.
Descobri que quando nasci, nessa sociedade, ganhei várias malas, bagagens de ilusões, desafios preciosos. "Regardez la pensée, sentez l'emtion, surveillez la réaction!"

No ritmo da dança e no encanto da música um universo completamente novo se abriu, onde conheci pessoas especiais , que me inundaram de histórias  de amor e vitória.
Vitória sobre tudo que há de injusto, de incerto, de errado.
Lição, daquelas de vida. Manual de instruções até que existe.

O que eu aprendi é que minha única obrigação é ser feliz, no sentido total da frase, o que quer dizer transformar minha realidade em algo respirável de esperança e coerência.

Mas para ser feliz é preciso estar em paz, senão não funciona.
Quando a coerência chega, através da reaprendizagem que se dá quando se conhece uma outra possibilidade de vida, uma outra alternativa, uma nova rota aparece.

Somos afogados cotidianamente por ilusões que nos tiram a esperança, que nos impedem de enxergar o real objetivo de estarmos aqui.
O tempo é uma das ilusões mais sólidas e inteligentes que existe, acredito eu.

Quando entendi que o passado e o futuro só existem no mental e que o momento presente é a nossa eternidade, eu perdi  a pressa da vida.

Minhas preocupações foram se despregando do meu consciente, caindo pelos fundos dos vales de montanhas verdes em cada lugar que passei.

Meus objetivos foram se transformando, o " querer ser" se transformou no " ser agora".

Minha maior prioridade se transformou no já.
Esse.
Agora.

É tudo o que eu tenho pra ser o melhor de mim, é tudo o que eu tenho.

Deixar de ser escrava do pensamento involuntário para se conectar ao meu ser é meu desafio mais querido. Meu presente.

Há muito o que aprender, a cultivar e a caminhar, o tempo relógio nunca para, ele passa igual para todos, independente do que fizermos ou sentimos.
Mas na eternidade do momento agora está a riqueza de todos as vidas, é onde está todas as nossas chances de vencer o mundo.

A comunidade da Arca de La Fleyssière me mostrou que há sim outras opções e que  nunca será alto demais o preço a pagar por pertencer a si mesmo.