sábado, 26 de dezembro de 2015

26 de Dezembro ao sol

É meio manhã, meio dia, meio férias, meio solidão e meia.
To sentada na cadeira esperando meu queijo descongelar, meu café esfriar, meu coração se acostumar.

No amanhecer assistido pela janela do ônibus eu pude ver a beleza que vive dentro do que não muda.
Eu peguei um ônibus na madrugada e chorando percebi que as vezes, eu apensas faço o que eu tenho que fazer, sem sentir.

Minha mãe que sempre chora, chorou na rodoviária. Choro causado pelo amor tamanho que ela sente por mim.
Ela realmente me ama. Ela demostra isso o tempo inteiro.
Eu também a amo, e mesmo assim há arrependimentos. O amor só não basta.

Vesti as provas que minha família me deu de que é a melhor que eu poderia ter, e entrei na merda daquele ônibus.
Deixei meus amigos tomando cerveja, de óculos escuros no calçadão. Sorrisos espalhados em mim.
Deixei meu sobrinho, rindo à toa a qualquer um que o pegasse, espalhando uma magia avassaladora em quem chega perto dele. Deixei meu colo vazio.

Tomo um café agora, na casa vazia. Me arrumo para o trabalho. Faço planos. E tenho medo do domingo que será amanhã.

Mas consigo respirar, apesar das lágrimas e da dor, dessa solidão que agora admito bravamente.

Meu amor pelo mundo ainda é grande. Mas quando choro fica tudo meio cinza e mesmo que eu arrume o quarto, limpe o chão e troque as roupas de cama, tem um sentindo morto em  todos os atos.

Descongelo a inércia.

Preparo o ano que vem.


Aos que me fazem falta. Às mãos que eu queria ter agora nas minhas.


sábado, 14 de novembro de 2015

Monólogo do Mundo

Trombose relampejante
aqui estou na falseta da vida
equilibrada entre as notícias
que disputam lugar de mais ojeriza
em mim

Aqui estou
relendo textos antigos
ocupando a mente de algo desconsertante
pra não ver a fundura no estômago que tudo isso ta causando
em mim

Não quero vasosdilatadores de veias
de amores de dores
não quero anti-histamínicos descontrolados
controlando o mar revolto que derruba todas as embarcações que navegam
em mim

Amanheceu tudo e eu pensei que o dia fosse bom
que o sorriso ia nascer farto nos lábios da imensidão
que a ressaca ia passar serena escorrendo pelas mãos
Mas apavorou o descaso da solidão e ardeu a armadilha que sinto que vem do seu silêncio
em mim

Eu que estava descalça na sala vendo a luz do dia caminhar lentamente pro fim
ouvia a televisão vomitando assustadoramente casos absurdos de desamor
e espalhando seu suor maligno de ignorância e maldade no mundo
estilhaçando a calmaria que deveria me abitar e cortando as esperanças que um dia moraram
em mim

Tava tão disposta a esquecer os velhos costumes
me acostumar com o calor vermelho do verão do agora
me abrir em vento pra imensidão da vida
respirar verde em momentos de possibilidades infinitas
mas a humanidade ainda está delimitando seus territórios e hierarquizando suas culturas ancestrais
e nada mais faz sentido
em mim

E esse meu egocêntrico monólogo de traz pra frente
que reflete os dentes de um sorriso amarelo claro que só sabe olhar no espelho
que só sabe falar de si e olhar pra si
sentir o que ta em mim, pra mim, por mim, para mim
e morrer sufocado de tantos eu's presos na retórica contada pela história desabafada de uma vida calada.

Esse meu eu maior que domina o mundo
essa sombra vivente que cresce na imensidão do escuro por entre as mãos, os dedos, os ossos
que impede a compreensão das horas, das vidas, das misérias, das discórdias
que fere com vingança o que já está ferido
que suja de lama a roupa branca do fim de ano triste, desesperançado
sem sorriso, sem batom vermelho, sem amor
sem mim.


domingo, 18 de outubro de 2015

Tilintar de pensamentos rápidos

Minha alma inflama
Minha saudosa explicação de tudo se cala
meus olhos se abrem pro que é belo e para o que o pensamento não alcança
Num silêncio remoto e presente: repouso

Há um fogo vivo, displicente como nós

Há música ritmada de afagos relvos
Há sobre nós na mesa da sala uma calma calada da vida confusa, estirada

Há sobre nós nessa sala uma sabedoria implícita de livros e dicionário

Uma rosca, um chá
Uma felicidade mais que nunca clandestina.

Amor em agonia solta ( uma ilusão)

Itinerante débil esse do amor certeiro
Vem rasteiro brando em dia comum
Assola desde o teto até o chão do pensamento

Revigora lágrimas e pinta de rouco vozes azuladas

Esse amor por você morena-flor serena
Mistérios dos olhos carnívoros

Esses seus olhos ancestrais de imensidão
Nuvem de feto
Fato raso expresso
Acrobáticas veias de sangue negro
de voltas

Insinuante ternura
Respiração pula
Etapas de cor chegaram por culpa sua
Te culpo
Te culpo
Te culpo

A certeza que tenho é somente a de te saber feliz comigo.

Vem menina, vem casar comigo.

Repasso

Cadê meus infinitos de mim?

Onde está a luz púrpura da selva pessoal que estremesse dizeres em espanto de orvalho?

Das profundezas dos sons silenciosos que existem nessa casa
Despertei-me romanticamente divina

Na força de poder tornar-me extrato de seiva

Eu respeito os bichos internos, alterados

Grito em som estrito, chacoalhado
que eras tu, meu divino querer que me entorpeces

que nessa queda-de-mão sozinha
na agonia da dor vivida

não há fadiga no escárnio terreno da tentativa

repetida

Relance propenso sem verso sem lenço
sem cor, sem dor

sem nome, sem lamento, lamúria ou descontento

Reabre os vasos vazados e estremesse em teu nome
Óh, divina flor de Lótus

Tatua em minha pele seus traços
rabiscos engrenhados de teu enredo maléfico

vivido há tempos já esquecidos

Sou agora águia pousada em água de areia morna

Lépida passagem de vento fresco em seu rosto

Piscar de cílios do olhar contente, desesperado pelo repouso

que sua imagem dá em minha alma

Ofuscante inverso de tempos revoltos, remotos
rogo em nome do vento, da neblina e do alvorecer

que tu te despeças de mim, assim alvoriado


recheado de bem-querer.

sábado, 25 de julho de 2015

Cartas a um alguém amado

Endereço-te palavras pra que um dia ao lê-las, mesmo que tarde, ainda sinta o meu amor.

Hoje, faz frio como sempre.
É mês de julho, o mês mais importante do ano pra mim.

As nuvens  esconderam o céu de mim, de nós.
Nessa pequena cidade, tem um violão sendo dedilhado calmamente em algum lugar do bairro. Ele diz em alta voz a poesia escondida nas antigas pessoas que moram aqui.

Na noite passada sonhei com você. Como se você voltasse a habitar em minha mente como antes já o fez, morou aqui dentro, lembra?
Mesmo depois de tanto tempo, tudo está sacro.

Teu sorriso era o mesmo.

Nessa tarde quieta, silenciosamente programada pra me tocar, me influir coisas de nós, eu tomo um café com leite doce. Tem um abajour inundando o quarto de um luz morna, que transborda a janela e aquece o ar. Sei que os passarinhos que cantam agora percebem que ela exite.
E que eu estou pensando em você.

Queria te falar que você é a prova de que sou capaz de amar.

Queria te dizer que de nós, tudo ainda restou intacto.

Que sinto felicidade clandestina em saber que ainda quero fazer parte do teu contexto.

Que penso em ter filhos e envelhecer ao teu lado, amado.

Mas que agora esse violão intensamente triste me diz que não posso.

Liberto-te te toda prisão que esse sentimento possa lhe causar, endereço-te todo meu respeito, e minha decisão de te deixar permanecer em seu destino, flutuando em suas tentativas de felicidade despreocupadas.

Estou lendo um conto de fadas, amado.
Dizem que me faltaram fantasias na infância.
Foi por isso que nos perdemos naquele momento-dor. Porque faltou a nós acreditar em fantasias, que tudo era possível. Que nós inventaríamos o mundo, se precisássemos.

E agora busco de volta esses dizeres, esses escritos que traduzem uma parte do coração de quem acreditava em contos de fadas.
Busco-te. Reinvento você no meu cotidiano enquanto sinto meu amor pousar em mim.

É normal que essa energia nos abale, que sinto descontentamento por você não estar aqui.
Porém eu sou feliz de vivenciar essa poesia de amor-você.




domingo, 5 de julho de 2015

Medir

Quero falar disso
desse espaço vazio sem palavras que aprendo cotidianamente
sem mensura
dessa tristeza que se esvai pelo dedos no teclado
da minha felicidade mesmo com o dia nublado

Quero lembrar dessas coisas
Da minha mãe me esperando pro almoço
Do macarrão que me acompanha
Da esperança que não é espera do amanhã
Mas é o dia se transformando nesse dia que é tudo que tenho

O ar entra no peito e espera que  eu possa o colocar pra fora, agora, modificado
Nada que começa de um jeito, termina do mesmo
E as noites de inverno e de verão sempre possuem as mesmas características
nunca deixam de ser noite



E eu nunca deixo de ser eu
mesmo que o que eu mais queira da vida seja me livrar do "mim" e do "meu"
do tempo que não é hoje
De esperança que não está no agora

De repente silêncio morno na mente calma
percebo os latidos, e os transtornos
a calma do caos que vem calma
A cabeça pairada no pescoço

Ordem na desordem é virtude
Compreendes o seu caos? Então vives

De mim
do tempo
Do contorno
Do não dito, do que não é verbo
Só resta a atenção
o ouvir pleno
o deixar acontecer



E hoje me despeço de mim.
Morro todos os dias
Mato o passado e o futuro
me transformo no silêncio do medir.


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Relâmpagos de fúria

Reparo em mim de novo agora nova
é prostante meus novos vícios e formas de me encarar
sobre maneiras diferentes de me ver, me peguei rodeada de minhas posturas
E minha falta de paciência vem da absorta equação inteligível que de repente a vida se torna depois de um cigarro

a minha visão distorcida de detalhes importantes revela o que pra você?
reparei na destreza dos versos lidos. e na beleza que tem em se expressar poeticamente quando toca aos outros uma dor que não é sua

reparei em minha volta recheada de importâncias e diferenças e me senti só
não é a primeira vez que sinto isso
que começo a frase e esqueço a ideia

depois tudo muda de novo e as frases começam a significar coisas novas e já não sei como descrever o que sinto pra ninguém

eu estava parada na janela quando aquele olhar me parou
eu estava sórdida escondida em segredos de mim quando me reparei mais seca

eu começo a ter coragens vans, e dessa desnecessidade do inconsciente
eu não cumpri com meu dever

dever esse que ganhei não sei quando e não sei de quem

eu me deixo levar

observo as paranoias e um sono quase transverso nas horas que estou acordada e apática a todos vocês

eu amo mas não se de onde esse amor vem

e as vezes me julgo inapta
me julgo inválida
me julgo ruim

mas meu estômago que anda revirado de sabores e açucares se sente extremamente afetado por tudo isso de uma forma que eu não posso compreender
ele me entende melhor que eu

meus dedos longos e coordenados
minha luz esfumaçante vermelha
esses dias de inverno quente
e agora estamos nós aqui,

e as primeiras impressões são de incapacidades mútuas pra um bem que é muito maior e que pretendo conquistar a duras penas
meu goles sedentos de algo que molhe
minha garganta que quer calar a todo custo de palavras mórbidas
minhas mãos que devem apenas descansar até encontrar conforto no toque mais puro possível pra existência

venho tendo tempos difíceis


mas não me ignoro por completo
nem me abandono

deixo a esperança permanecer intacta na constituição da minha alma
e permaneço caminhando bem devagar pra algum lugar, se eu tiver sorte

apareço em mim, novamente no escuro
cinza pesar de meu ego

esse ego que carrego há tempos pesado e ditador
esse ego que transborda
que transmite mensagens de insignificância e carência desatenta da beleza

esse meu eu encarnado de mim performática e procuradora de verdade
que habita o mundo
 que está em mim e que você nunca vê

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Estou condescendente

livre
abusiva
aleatória a praticidade da vida
escuto miúdos

gotas de água doce caindo do céu gelado
conversas finas desajeitadas
réplicas de uma história torta e desajustada


do tempo
da dor


do sim e do não
do lamento e da robotização
da espera da esperança
não obrigada, fui embora quando eu era criança


aqui revejo os meus eu's sofridos e arrancados
os desgostos com os modos improvisados
de sobrevivência
de aceitação


disse não

fui embora caminhando bem devagar
e hoje descobri que eu estava correndo
com pressa pra passar

esse pesadelo da estadia cumprida
da falência da vida
do retruque com o indizível e implacável

da derrota com o inacabado
da falta de compreensão
das mãos distantes e em exatidão
contidas no solavanco do medo

da vergonha
por sermos quem somos.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Voz

Arte do azar da resposta
arquipélago recheado de incertezas
resposta rápida a mente desesperada por dizeres incólumes de sofrimento

Queria que você tivesse me dado você pra mim

eu descubro na experiencia que me trazes que a paixão que sinto é desequilibradamente enlouquecida
não sei de onde vem esse atual descontentamento com o ar que respiro
essa nuvem densa pairada de paixão na sala da minha casa

no quarto ela repousa mais baixo
perto da cama, palpável pelos olhos que não dormem mais, desde que te conheci
é tudo meu isso que vivo

relembro risadas rápidas sem graça, sem força
com medo do que representa a inconstância de poder não te ter

voltei a fumar, perdi diversas vezes o ponto, do raciocínio, do espanto
para não contar das vaidades desfiguradas, desperdiçadas, caídas pelos espelhos dos elevadores que entrei

pausei a voz calmamente no silêncio
e quando sua resposta veio não consegui sentir absolutamente nada
o vazio completo do sonho de domingo
do sol vermelho-laranja que voava sobre o mar agitado da Baía de Guanabara

a cima dos quiosques inquietos de sons
em cima de mim, do meu peito apaixonado pela incerteza
pela surpresa que você representou

atiradores mascarados de moedas
fontes exorbitantes de falações incrédulas na vida
eu deixo você ir só pra te ver voltar.


domingo, 24 de maio de 2015

Relatos perdidos e repletos de tudo

E na segunda-feira desvairada
A paz pousou na mão da cigana
E quando os dias foram passando
Ela foi perdendo os medos de criança

Foi pouco a pouco se despindo da desconfiança
Foi acolhendo a dança
dança da vida que chegou pra tocar a música da eternidade

Sim, minha senhora
não tem nada de errado com a sorte
Sou bruxa

E passos firmes foram se abrindo ao ponto de apenas 3 passos atravessarem anos
E os sorrisos crescendo no corpo
Se emaranhando nos braços, nas pernas, nos olhos e nos abraços

Tudo agora era riso alto
Inconsequente
Quebrado e molhado, engasgado
As vezes sem dente
As vezes amordaçado
Sofrido ou concertado
Mas eram sempre sorrisos

Relatos de um caderno perdido na terra e achado no tempo III

Agora da janela do trem dessa cidade que não sei o nome
vejo vidas emaranhadas
Amarrotadas de sonhos
sedentas de verdade
preocupadas e com medo do amanhã

O trem continua e vejo
crianças correndo
Emboladas entre bolas e palavras
cheias de desejo e cores
fazendo jogos com a tristeza
enganando a monotonia
perfurando sorrisos falsos
com a verdade de uma gargalhada

O trem para na estação
vejo abraço sujos de romances
filmes em cartaz
desprezando amores e dores
Respeitando o ritmo natural das coisas

Revivo

Relatos de um caderno perdido na terra e achado no tempo II

Há uma poesia inconsciente nos passos humanos apressados
Nos cabelos penteados
Nas pernas cruzadas
Para os que estão tentando, pros que estão conversando
Para os que perderam a vergonha
Para os que estão curtindo a vida, a tarde azul dessa terça-feira
Para os que estão descontentes
Há vida e histórias infinitas
acontecendo agora

Decidi engolir a fotografia que congelou meu momento
Decidir pousar meu olhar e ouvidos no meu eu que espelha meu redor
Meu coração está derretido em saudades
São inúmeras as páginas da vida da imaginação humana

Fumaça que se esgota com o vento do tempo
Palavras repetidas
Escritas cansadas das mesmices cotidianas
Passos largos, envergonhados ou apressados,
Ruas novas, brisas leves, vento frio
Mãos dadas, palavras sussurradas
Abraços fortes de despedida
A verdade que pousa como pássaro na janela
O momento exato de dois olhares que se cruzam entre tantos outros

A multidão que se desloca, vazia, desconhecida.
As mil possibilidades de  amor
A calma do café que esfria
A arquitetura singular de cada povo
A serenidade e o silêncio do coração que começa a compreender a vida.


Relatos de um caderno perdido na terra e achado no tempo I

Pra capital

Calma!
Vou fazer meu ato político, assim que terminar de jantar.

Vou te mostrar, te desafiar. Nada de desconcertos e desenganos, é só amor e dor. De tudo que eu sei falar.
E quando o sol bater vai tudo virar luz, vento e mar

Calma!

Eu não sei escrever poesia, nem conto, nem história
Também não sei interpretar. Não faço música nem toco instrumentos. Nem pintar nem rezar.
Escrevo rápido, como uma caligrafia arrastada, inconstante, você não pode ver.
É tudo meio que já.

Sou fruto da pressa com a vontade.
Me sinto atrasada mas não perdi o tempo.

Vou aprender a deixar o tempo acontecer e passar.
Vou respirar, olhar, sentir, perdoar, entender, acalmar, aquietar, AMAR.

Vou atentar e escutar com atenção de neta e ouvidos de primeira vez
O barulho que o silêncio provoca em mim, todos os dias.




Relatos de um caderno perdido na terra e achado no tempo, Paris

Desapareço como para aparecer em mim
Destruo tudo como para reconstruir
Abro o recorte da vida em branco, faço viagem
Fecho os olhos e já não estou mais aqui

A descoberta parte do princípio da total ignorância da vida
minha total insensatez  contemporânea rouca
a respeito do significado de tudo isso

Desisto do irremediável

Na chuva, na paisagem, no sorriso
No sol sorrateiro que invade o quarto na manhã de terça
está a beleza da minha vida, porque eu estou viva

E de repente, no sopro do óbvio, reconheço-te.


Pausa pra vida.



De tanto apagar a luz da alma deu-se por encerrado o dia
Fechou-se a porta do sol para nunca mais voltar
Qual é o tamanho da sua dor ?

Você pára em mim com a impertinência do seu olhar e eu não tenho mais pra onde fugir

Fluidez

O meu sorriso ficou contínuo no rosto
O roubei das calçadas desconhecidas por onde caminhei
Com meu amor infinito preso no bolso, claro.

Ainda não está pronto,
todas as relíquias estão presas em caixas de emails
Desconcertante vida.

Ainda aqui no vazio do agora, só me resta o já.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Poética inconsequente

Pra'queles corações murchos
meio vazios meio inseguros
sei que tá difícil respirar

Momento da terra
influência da lua
consequência do desamor
não sei onde que a gente parou

Na culpa que não pousa em nada
sei calada
que o mar continua a nos esperar

Mergulhemos na calma da água de um dia de sol
pra ver se as esperanças renascem
mesmo que de um girassol
mesmo que do nada

Respiremos fundo, mesmo que doa
voemos em asas brancas
irrefutáveis flores caídas
dores amanhecidas
e não deixemos  a esperança perdida

Encontro com o que faz sentido só acontece
quando saímos pra buscar o porquê da contra-mão
te para um pouco no andar
e olha pro lado
pro olho do seu irmão que também tá a caminhar

E compreende que sozinhxs nada faz sentido
que a razão só pode ser de todxs juntxs
Num passo contínuo
de olhos fechados para o infinito



sábado, 25 de abril de 2015

De fora em mim

Implacável e sereno como tudo que vem da terra
Silenciosamente te detona, bem devagar
Inóspito como a agonia de uma dor
Repousa serenamente na morte e na constatação do que é amor

Namorei o azul do céu celeste
Com o verde escuro da mata da minha terra
E me vi refletida em todos os dias de chuva fria nas manhãs vazias dos dias cinzas
Na infância arqueada  de silêncios
Nas curvas de uma vida traçada
Com lápis, borracha , canetas e água morna

Odeio tudo que é morno

Do café da manhã frio
Das rabugices desconcertantes
Do olá mal dito
Do olhar sempre pra baixo
Cansei-me de tao pouco achar em tantos corações cansados
E desesperei-me vendo o dia amanhecer e o cheiro das flores me invadir clareando meus passos covardes, estraçalhando meu divagar contínuo, profundo

O sino da igreja tocou
Me avisando que é hora de partir

Repousei minha mão sobre a sua
Numa tentativa de refrescar os pulmões e  reencostei  meus olhos no mar
No azul calmante da história pra esperar seu despertar

Além do hoje
Pra sempre na eternidade do segundo que contém meu espírito afogado no amor.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Outono fértil estéreo

Eu sei que as flores de maio vão reflorescer na minha alma

Agora: tudo parado, solto, silenciosamente incômodo, lua clara no céu escuro e o silêncio de uma vida que se absteve, sentimentos, pânico, ausências, café, mãos vazias e solidão;

Agora: Lua risonha, brilhando num céu de montanhas verdes, eu aqui, parada na janela da cidade pequena, ouvindo os sons do pequeno mundo, esperando minha mãe.Sentimentos, flores, cheiros, chuvas, manhãs solitárias, tucanos no quintal. 

Eu na janela. Você ai parada no ar.

Eu não faço mais questões, agora que minha vida repousa flácida nas mãos de um destino loucamente desenfreado e desconhecido. Danço.



terça-feira, 7 de abril de 2015

Pra uma amiga assim como eu

Quis me desculpar durante todas essas horas
Mas não achei jeito nem caminho entre o orgulho e o descompasso do coração
Pensei no que aconteceria quando eu me relacionasse com alguém parecida comigo
E logo vi nós duas, naquela noite, com aquele olhar, e aquela dor

Assim como eu, você descobriu a arte do verbo rasgado
Do palavra corrida em busca da razão, muitas vezes desconhecida
Do passo antes do penso
Da resposta antes da pergunta

E mesmo me vendo, assim como você
Refletida no espero dos olhos do outro, nos seus olhos
Sentindo o desespero de ser assim
Eu quero recomeçar, quero reaprender, quero tentar
De novo, de novo, de novo, de novo.

                                                                 INFINITAS VEZES

Porque eu sou você
Poque eu amo você
Porque estamos juntas na mesma caminhada, nos mesmos erros, escrotos, frágeis, se protegendo atrás das mesmas razões insanas, insignificantes no tocante da vida.
Representando o que não queremos, o desamor que não sentimos: discutimos em busca do nada no vazio.

Vazio que será minha vida sem você, baseado no nosso fracasso de não conseguirmos conviver por não suportar nos enxergar tanto.



Quer tentar outra vez, de mãos dadas, pra sempre e sem fim?


quarta-feira, 25 de março de 2015

Parâmetros em R

Repasso o impasse embaçado de nervoso e desequilíbrio
pros órgãos frágeis de desânimo e de dor

Reconheço com o olhar brando e as vistas cansadas as pessoas iguais a mim, desvairadas no descanso do terror
Refaço as vozes roucas do passado morto e dou um nó nos planos de mudança.

Reduzo a esfera a plenas fisgadas de amor no estômago escorrido de rivalidades vãs
Ramifico a morte em inúmeras possibilidades de descanso  e de trabalho e não deixo que a paz chegue.

Rio sem graça de pessoas sem graça de piadas sem graça de vídeos sem graça que insistem em me mostrar, em me fazer olhar pra queles desperdícios de ar, de mim.

Reestudo a fragilidade iminente em cada ser humano esguio e repleto de pavor.

Reescrevo as cartas de amor, porque ninguém é feliz sozinho.
Rasgo os extratos e depois bebo um chá preto, como quem vive de verdade.

Eloquência

Voz aquecida do calor da manhã
Peito aberto respira desmedidas esperanças
Mãos envolventes desfazem nós emocionais presos na dor da falta de amor
O vento passa pelo espaço vazio
espalhando a vida que mora no oxigênio que respiro

No azul resplandece a vida que habita no mundo.

É por isso que é azul.
É por isso que é vida.

Porque abre e fecha os pulmões involuntariamente, como o contar dos passos dos  pássaros no domingo.

Porque se regeneram no abraço do amigo que não viam há tempos.
Porque responde em voz alta ao chamado da presença, do momento e do presente.

E pra não ficar divagando sobre o tudo que existe no nada, sobre as esquizofrenias universitárias, sobre os desamores e as opiniões.. reclamo o direito da calmaria da noite clara, do dia cinza, do chá na mesa, da música boa, da conversa arrastada, das mãos dadas no caminho pra casa.



segunda-feira, 23 de março de 2015

Porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz

Auréola apagada de refluxo vital estragado
Na calada da dúvida voce me pegou

O amor em mim é latente de anti calmaria
É a perseguição da sua demora
É seu esquecimento queimando em brasa nos meus olhos, na minha cara
que não quer ver que eu estou enganada

Naquela  firmeza que se apoia o seu olhar
Meu impulso desconsertante de paixão invoca o medo
Medo de ser tudo errado
Medo da miséria de um amor pequeno e rápido, como esses de revista

Não quero voce perto de mim por nada além de pura necessidade da minha presença
Não quero voce me mandando nada que não seja o ímpeto do seu desejo gritante pelo meu corpo
Que sua cabeça esteja buscando a todo momento solução de como me esquecer, com a minha está.

Que suas mãos me procurem na madrugada, por puro gesto incontrolável de amor

Que nossas bocas só se encontrem quando não for mais possível controlar



E que sua demora englobe o medo de se apaixonar mas que não seja tarde demais pra eu me entregar


quarta-feira, 18 de março de 2015

Saída

Disserto agora, mais uma vez, não como novidade, sobre mim
Sobre esse eu, disfarçado no escuro da alma, não espelhada no mundo

Assunto desgastado de uma mente que caminha devagar pelos caminhos de pedra da vida
Na espera que me encontro
Nas falhas que cometi
Na ansiedade que me consome

Esta clara e cansada luta contra o que é velho

Minha tendência leviana pelas mesmas coisas
Meu humor inclinado pelo mesmo gênero
Meus trajetos cravados pelas mesmas dores

Na insistência de preservar a essência do que acho que diz respeito a  mim
Talvez resida a não satisfatoriedade com aquilo tudo que não vem pronto
que não é fácil. Ai meu deus como é difícil.
Alias me parece muito impossível nas tardes de sexta feira controlar-me

Pra não sair pelas ruas bêbada de revoltas e histórias
Indesejando  o espelho que que me soca a cara todos os dias
Manchado de lamentos e de torpor

Mas aí vem esse sol realçando o brilho das folhas das árvores que ainda vivem
Ainda pairam por sobre as ruas de asfalto quente de fumaça e pressa
Vem o vento lembrando que o pulmão existe por uma razão de inóspito esquecimento
Vem a calma da manhã me lembrando o motivo das coisas existirem


segunda-feira, 16 de março de 2015

Cartas à uma velha amiga

Sua poesia é tanta que transborda meu computador
Inunda meu quarto
Me afoga na alegria do ser sua amiga, de ser sua.
Continuo flutuando, desde os últimos 2 meses.
Oscilo muito, é verdade. Mas não me dói mais ter que acordar a cada meia hora para não me perder de vez dentro da minha mente.
 Não se desculpa pela carta, sei que é difícil escrever carta, a minha última foi como um parto.

Não mais estéreo a minha alma pulsa carregada de cor
Não inconsciente a minha dor reside calma, como uma pedra larga dentro de um oceano imenso de paz.

E as ondas? Essas reviram meu mundo de náusea e sofrimento, mas são tão lindas! As ondas.

Agora mais largadas, balançam no meu mar,  renovam espuma branca de beleza.
Compõe música pro meu olhar.

E o corpo, esse misterioso braço da existência , agora compreendido, descansa o fardo da beleza.
Caminho a passo pleno- flexível ao vento- reconhecente do amor que há em mim.

E no meu abraço está a força do bem querer.
E nas minhas mãos o poder do trabalho transformador.
Nos meus ouvidos a escuta atenta.
Na minha boca a palavra que cria, a energia que vibra pra nos meus olhos demonstrar tudo que ganhei caminhando em direção ao infinito presente.

Despertador 12/12/14

E por mais que ha muito tempo um despertador me acompanhasse, mesmo que diariamente, eu nunca estive acordada.
Meu despertador sonoro gritante das manhãs sonolentas, me retirava do estado de inércia " em pausa", para me colocar no estado de inércia "em pé".

E quando vejo as fotos, vejo a vida que faltava de  mim.

Eu escutava diálogos, participava de muitas conversas, mas jamais soube de fato, me expressar, jamais soube ouvir.
Eu via meus amigos e amigas, minha família , meu eu no espelho de qualquer lugar, minha cidade, meu país, mas não os enxergava.
Não me deixava sentir a vida. Porque não sabia como fazê-lo.

Porque  verdadeiramente é preciso reaprender.
O segredo as vezes é andar de olhos fechados, eu juro.

Num impulso vital de coragem e curiosidade, eu saí do meu lugar e fui ocupar o mundo. Não que isso seja um depoimento, nunca será. Nenhum ser dominou as arte das  palavras ao ponto de fazê-las sentir o que dizem. Eu não o farei.

Carregada de sorte e amor, me vi refletida a cada olhar que recebi.
Descobri que quando nasci, nessa sociedade, ganhei várias malas, bagagens de ilusões, desafios preciosos. "Regardez la pensée, sentez l'emtion, surveillez la réaction!"

No ritmo da dança e no encanto da música um universo completamente novo se abriu, onde conheci pessoas especiais , que me inundaram de histórias  de amor e vitória.
Vitória sobre tudo que há de injusto, de incerto, de errado.
Lição, daquelas de vida. Manual de instruções até que existe.

O que eu aprendi é que minha única obrigação é ser feliz, no sentido total da frase, o que quer dizer transformar minha realidade em algo respirável de esperança e coerência.

Mas para ser feliz é preciso estar em paz, senão não funciona.
Quando a coerência chega, através da reaprendizagem que se dá quando se conhece uma outra possibilidade de vida, uma outra alternativa, uma nova rota aparece.

Somos afogados cotidianamente por ilusões que nos tiram a esperança, que nos impedem de enxergar o real objetivo de estarmos aqui.
O tempo é uma das ilusões mais sólidas e inteligentes que existe, acredito eu.

Quando entendi que o passado e o futuro só existem no mental e que o momento presente é a nossa eternidade, eu perdi  a pressa da vida.

Minhas preocupações foram se despregando do meu consciente, caindo pelos fundos dos vales de montanhas verdes em cada lugar que passei.

Meus objetivos foram se transformando, o " querer ser" se transformou no " ser agora".

Minha maior prioridade se transformou no já.
Esse.
Agora.

É tudo o que eu tenho pra ser o melhor de mim, é tudo o que eu tenho.

Deixar de ser escrava do pensamento involuntário para se conectar ao meu ser é meu desafio mais querido. Meu presente.

Há muito o que aprender, a cultivar e a caminhar, o tempo relógio nunca para, ele passa igual para todos, independente do que fizermos ou sentimos.
Mas na eternidade do momento agora está a riqueza de todos as vidas, é onde está todas as nossas chances de vencer o mundo.

A comunidade da Arca de La Fleyssière me mostrou que há sim outras opções e que  nunca será alto demais o preço a pagar por pertencer a si mesmo.