É meio manhã, meio dia, meio férias, meio solidão e meia.
To sentada na cadeira esperando meu queijo descongelar, meu café esfriar, meu coração se acostumar.
No amanhecer assistido pela janela do ônibus eu pude ver a beleza que vive dentro do que não muda.
Eu peguei um ônibus na madrugada e chorando percebi que as vezes, eu apensas faço o que eu tenho que fazer, sem sentir.
Minha mãe que sempre chora, chorou na rodoviária. Choro causado pelo amor tamanho que ela sente por mim.
Ela realmente me ama. Ela demostra isso o tempo inteiro.
Eu também a amo, e mesmo assim há arrependimentos. O amor só não basta.
Vesti as provas que minha família me deu de que é a melhor que eu poderia ter, e entrei na merda daquele ônibus.
Deixei meus amigos tomando cerveja, de óculos escuros no calçadão. Sorrisos espalhados em mim.
Deixei meu sobrinho, rindo à toa a qualquer um que o pegasse, espalhando uma magia avassaladora em quem chega perto dele. Deixei meu colo vazio.
Tomo um café agora, na casa vazia. Me arrumo para o trabalho. Faço planos. E tenho medo do domingo que será amanhã.
Mas consigo respirar, apesar das lágrimas e da dor, dessa solidão que agora admito bravamente.
Meu amor pelo mundo ainda é grande. Mas quando choro fica tudo meio cinza e mesmo que eu arrume o quarto, limpe o chão e troque as roupas de cama, tem um sentindo morto em todos os atos.
Descongelo a inércia.
Preparo o ano que vem.
Aos que me fazem falta. Às mãos que eu queria ter agora nas minhas.