domingo, 20 de agosto de 2017

micro coração furtado

não faz sentido o pequeno momento de êxtase existencial sem poder e característico de mim em privado estado de liberdade em pequenos goles antropofágicos de esquecimento e desatenção abstraídos pela relação de poder presente em tudo que de mim rouba um pedaço da existência de mim e do outro que eu lembrei ontem que sou eu fantasiado de mim e eu invés de eu ir eu regulei os espaços vazios e eu quis voce de qualquer maneira e agora nós não sabemos de nada e por isso sentimos medos e resistimos ferozmente de nós mesmas juntas e meu pulsar antigo e vacilante repousa sempre no espírito do novo horizonte que se segue sempre brilhante e azul dentro de nós num dia triste ou num dia qualquer onde as nossas mãos se encontrem despertas e felizes sem medo de se entregar na minha fase celestial de abertura e entrega pro momento presente delirante de couraças rouxas e pretas que se descolam a medida que tomamos consciencia dela e depois ela repousa suave e intrépida pelas nossas peles amarelas de vontade de amar.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

A felicidade como uma bolha translúcida de sentido

Repelem-se os seres que navegam no oceano da guerra
é método infalível de separação e dor

se queres amar, pelo contrário
mergulhe fundo na des-ilusão de se perceber imerso no mar
à deriva
transmitindo misericórdia por entre os poros anuviados

É tudo transmutação do sentido fixo
do entendimento teso

no fogo do alto da montanha
na caminhada silvestre por abraços e perdões

desperta, irmandade
desperta o amor

Vassouras gastas
empilhadas nas costas dos gigantes faladores
minha pulsão por refrões desidratados de poesia e sedentos de beleza

há caminhões nos esperando se insistirmos em demorar na derrota
o esquecimento da fogueira: causa primária da cicatrizes do desrespeito
nós não somos loucas
somos sim loucas
avariadas

atormentadas pela necessidade de atender a vida
à justiça
por fim à tranquilidade necessária para se mergulhar nas águas sagradas de uma cachoeira verde-azul e fria
de sol ameno, adentrando timidamente a mata
da floresta de Oxossi
da mãe Oxum

do Axé transcendental de nossos antepassados não apagados
não higienizados de branco
não silenciados de sangue

porque essa história escapou e ficou escrita nas notas musicais dos intervalos tênues dos séculos
nos intervalos entre as nuvens

nos intervalos entre as pausas das respirações
entre os segundos do relógio da Igreja verde claro da cidade do interior do mundo

da aguá clara do rio de peixes dourados
nos passos do índio


nos vãos dos dedos das crianças pintadas de vermelho
descalças nas ruas de terra antiga

meu eu enraizado
desuniformemente livre
humanamente esparramado, espaçado de ar
eternizado no sorriso atemporal de qualquer pessoa que ouse dizer a palavra.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Vertigem

Eu não sei qual é o problema de dizer não e ver tudo despencando céu a baixo
e nós no desconforto de receber sobre nossas cabeças a sentença de covardes

aquelas nuvens coloridas sempre passeiam as quatro horas da madrugada de terça
e olha
nem os pássaros mais espertos sabem disso
porque sempre dormem
independente

é como um contrato de sono estendido no decorrer dos anos
eles possuem o dia, mas perdem a noite

Eu, já não possuo nada, nem o dia e nem a noite
respiro com dificuldade nos dias de frio e nem falo alto quando preciso

caiu um pano escuro esses dias pela sala e mesmo o vendo escorreguei. Foi uma dança leve e fluida, meu encontro com o chão foi suave e sedutor, minhas mãos inseguras tateando os tacos, a temperatura morna que o sol deixou, e eu lá, meu corpo com os ossos arredondados, encostados na pele que encostava nos tacos de madeira e verniz.
meu rosto frio, minha boca entre aberta meus olhos fechados na sala vazia
tinha um meio sorriso também
um sopro

Naquela enseiada de amor, nós reviramos os silêncios ...  e a política vai mal, né meu bem?

Reconheço que o caos que se segue nunca foi visto antes

tem muito vendaval saindo da prisão da mentira
nossos reconhecimentos terão de ser usados baby
e nossas promessas também

anoitece sempre quando é hora
e damos sempre o que precisamos dar


E agora faz dois dias que chove e esfria....
não encosto tanto assim no chão mas continuo acreditando que é melhor ficar descalça, sentindo

sentindo o chão, o limite, a realidade, o que me cabe, o que me transborda, o que me escapa e o que me pertence. Escolho mas sempre olho de lado.

Tua dança me encanta, justamente porque sei que ninguém pode acompanhar.
eu escorrego porque sou feita de sublimes porções de ar e fogo. Então eu passo e entro.



quinta-feira, 13 de abril de 2017

Declínio

Meu amor, o verão mal passou e já estamos nós aqui de novo a verificar os pequenos estragos da chuva de lua cheia que caiu ontem

a gente bem sabe que não somos feitas de açúcar e que meu talento teso pras precariedades sempre se mostra com mais veemência quando fica frio


Declínio

Eu e você
Éramos muita coisa no mundo das cicatrizes
O vento chegou
Assoprou meus labirintos
E arrepiou meus medos
Éramos nada
Cada parte da cabeça pendia para um lado.
Eu era respiração e reza

Meu coração atropelado corria pelo campo pedindo ajuda a alguém
Mas ela só ele. Sozinho.

É que chega um dia em que todos precisam partir levando suas máscaras
E eu estou sem força nesse momento, cansada, afogada.

A fumaça que ingerimos constantemente é uma tentativa esquisita de por fim aos desenganos
Somos todas sugadas por esse tentar
Meus quase 23 anos me mostram alguma paisagem colorida, porém anuviada

Tudo descortina, dá medo e dor,
Mas é bom.

Foi assim que pude compreender aquela festa.
Minha máscara de desigual e incompleta. Provocava-me nojo.

Meus pés se deslocavam no chão de mata molhada.
Eu os sentia na cabeça,
Meu tratamento é a liberdade.

Mas ela não pode vir a galope.
pois assim descampa minhas centelhas protetoras de ilusão que moram no esconderijo da pele
minha vaidade despedaçada
me enriquece de inverdades

Meu corpo se abrindo
Meus músculos se contraindo
Seu eu desgovernado sobre meu interior

A voz estremecida de nuvens, o cais do porto amarelo de folhagens vindas de sonhos.
O barulho das folhas secas com os nossos passos descalços, e eu sentindo que tudo podia continuar

lava de amor carnal
As portas se fecharam e ficamos do lado de fora

Até quando não sabíamos das nossas vísceras escancaradas de sangue cru
Aquele dia que você foi embora na chuva e fiquei sentindo sua falta.
Seu toque aveludado e a lembrança dos seus lábios quentes, mortíferos ao meu estômago e minhas gengivas. atônitas com teu suor

cigana

na estrada eu estava procurando redes de pesca. Queria ser água.
o significado espesso

jogos sem ganhadores
A fragilidade de uma infância inventada.
Como é possível o amor acabar
se fragmentar por entre lágrimas constrangidas e tingir de escuro aquela tarde quente

meu oceano animal inflável
minha misericórdia líquida
a desaguar razoes extintas
justificativas impróprias

"entre os olhos de água infinitos, se banham as estrelas do mar..."


terça-feira, 28 de março de 2017

Declínio

Eu e você
Éramos tudo no mundo das cicatrizes
O vento chegou
Assoprou meus labirintos
E arrepiou meus medos
Éramos nada

Cada parte da cabeça pendia para um lado
Eu era respiração e reza
Meu coração atropelado corria pelo campo pedindo ajuda à alguém
Mas era só ele. Sozinho.

É que chega um dia em que todos precisam partir levando suas máscaras
E eu estou sem força nesse momento
cansada. Afogada.

A fumaça que ingerimos constantemente é uma tentativa esquisita de por fim aos desenganos.
Somos todas sugadas por esse tentar.

Meus quase 23 anos me mostram alguma paisagem colorida, porém anuviada.
Tudo desacortina, dá medo e dor.
Mas é bom.

Foi assim que pude compreender a festa. A desprovida.
Minha máscara de desigual e incompleta provocava-me nojo.
Meus pés se deslocavam no chão de mata molhada.

Eu os sentia na cabeça.

Meu tratamento é a liberdade.

Mas ela não pode vir a galope.
Pois assim ela descampa minhas centelhas protetoras de ilusão que moram no esconderijo da pele.
Me enriquece de inverdades.

meu corpo se abrindo
meus músculos se contraindo
Seu eu desgovernado sobre meu interior.

Se atrasa mostrando seu inconstante descompromisso com o laço.

A voz enternecida de nuvens.

O cais do porto amarelo de folhagens vindas dos sonhos.
O barulho das folhas secas com os nossos passos descalços e eu sentindo que tudo podia continuar...

lava do amor carnal

As portas fecharam e ficamos para o lado de fora.

Até quando iríamos continuar sem saber de nossas vísceras escancaradas no sangue cru?
Aquela companhia que falta.

Seu toque aveludado e a lembrança de seus lábios quentes, mortíferos ao meu estômago.
minhas gengivas, meus poros.

cigana.

Na estrada eu estava procurando redes de pescar, porque queria ser água.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Das horas vagas

Repleto 
Transbordou mirras 

Transpassou os limites do recipiente 
Adentrou o fora escorregando liso pelo vidro morno 

meu sangue 
vivo cor de carne forte 
escureceu quando pisou na terra e absorveu os laços da cultura ancestral 
que habita no mundo 

eu sábia de mim 
perdida de mim 
caída em mim 
destilada 

Nos dias de sol regente 
nas noites curtas de verão 
no chão do quarto aceso 
o desejo toca o olho da alma na sua prisão 

Descalços descendo as escadas de madeira 
o som alto dos ossos 
a poeira 
o coração 

virou a esquina 
desapareceu na noite
fez de mim purpurina morta de carnaval antigo 
vermelho brilho grudado na pele 

Sabe? Aquele ardor da saudade 
Aquela brisa da eternidade 
O azul permanência 
da vontade de ser céu
sendo mar 


Os olhos sempre pra cima 
mirando o impossível das estrelas 
os pássaros sempre sempre apressados 
as flores entrando pra fora das árvores 

e nada mais importa no planeta 
nada mais faz sentido no pulmão 
nada que não seja ar 
que não seja o mar    
                                           o lar
o luar 


minhãs mãos perfeitas 
misturando as tintas e os buracos profundos 
tateando a vontade com o desejo com a loucura 

a loucura que mora aqui e aí 
que não vai porque só sabe ficar 
e ficando vai aprendendo a viver 

Protesto

Me logro

Impetuosa como sempre repudio a vida que geme sem gritar

mas é vista falha parda desde sempre a dissimulada esmola e a persistente muleta que nos segura intáctos nos desvios da vida

de repente nós na escada se despedindo como inocentes de uma situação causal sem culpados
mas nos arrependemos no segundo depois quando ainda sentimos amor e não sabemos mais nem porque e nem que horas deixa-lo de lado

as chamas insones da discórdia
os gritos altos de desamor escancarados na miscelânea que é ser filha do mundo


e me saber não  lhe pertencer

A ditadura da proteção ou a obrigatoriedade da secura

            À Francesca Woodman
Começou a chover bem na hora
ainda tinha cores pela casa
mas a temperatura caíra muito rápido
mesmo sendo verão

era quase que um sopro dela

E aquelas fotos

aqueles borrões de terror e suicídio deram início ao desaguar das palavras acesas

o vento tocava o pé da coluna
minha fumaça espairava-se no ar como meus nós
pensamentos que se perdem na atmosfera

era mais uma terça e quase não acreditava

Após aqueles meses de autorização
metamorfoseando as loucuras e condensando tudo tudo num navio secreto no fundo do olho esquerdo que tilintava de verde e anil as serenas vozes

Tinha o perdão e o vômito

tinha o barulho das gotas e a beleza inerente a todas as coisas

folhas são tão suaves quando se permitem umedecer....

Sim, ela era completamente perturbada pelos espíritos da terra
selvagem o coração
forte a morte perante o corpo frágil de uma mulher de 22 anos do dia 03 de abril




Nosso mergulho ancestral será divino
imagine todas as almas flutuando em corrente rumo à luminosidade etérea do céu
vendo se afastar os verdes das matas e indo de encontro ao infinito ar espaço
sem tempo


acabando-se as demoras e as esperas vamos enfim poder ser
li-ber-da-de