Fazer da vulnerabilidade força
do toque cura
do afeto antídoto contra a guerra
É um mar, oía, olha o mar
Tinha gente de tudo quanto é lugar
Tinha medo enrijecido na pele
Tinha o toque a desmistificar
Fomos nós caminhando por entre
os abismos de nós mesmas
percorrendo na outra o caminho
para nós
Desnudando a vergonha
recompondo as partes fragmentadas
Da confiança que se faz necessária
para poder ser
Sermos de nós
Para sermos com as outras
Acolher os nos
para que transformados em laços
preservem os traços
ampliem a misericórdia
restaure a memória no amor
Olha lá o mar
é o mar é o mar
fomos flutuando
desnecessárias
Pelo mar de pele e pelo
Por entre cicatrizes calmamente
esculpidas pelo tempo que tropeça na terra
fomos nos reerguendo
Se reconhecendo onda na imensidão de um oceano de água
cada vez mais clara
tranquilizando a maré
que reverbera espuma onde antes
não vimos sequer areia
Somos isso
essa onda que se faz mar
quando se reconhece parte
participante
atuante, pequena e importante
Somos isso
balancê do aprendizado
tocando com a ponta dos dedos
a profundeza da alma
Passando pela terra e chegando ao céu.