segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

E agora, já posso ser feliz ?
Até quando vou ter que bancar a descontente pro mundo me dar seus aplausos miseráveis ?
Já posso dizer, é verdade
Me pertenço
Paguei muito caro por mim mesma, em prestações eternas ao tempo
Mas posso sorrir sem peso, sem drama
E de noite, quando tem lua cheia, sai no rua descalça com o brilho das estrelas em minhas mãos

E mesmo na mesmice cotidiana a poesia simpática e amadora é capaz de me inspirar
Me tira pra dançar numa tarde de terça feira
Me repete verbetes falsos e banais
Com versos sobre amor e brincadeira


Não, eu não to cansada
Por mais que meus diálogos sejam monólogos
Por mais que as vezes chova forte em mim
Eu tenho um certo destino a cumprir
Que é viver o próximo segundo
E não pensar em nada mais

E me restam 20 minutos de discurso desfiado
Me restam pouco tempo de prosa empoeirada de saber
Eu queria mesmo era botar fogo em tudo que me deram
Incinerar todas as bagagens ancestrais
E sair flutuando por cima do muro
Morrendo de rir e voando de amor

Até quando vamos ficar remoendo esse passado que já passou ?

Que todo mundo já conhece, esse mesma chatice cinza de vida pequena?

Retomemos sem olhar no retrovisor
que o trator da vida já passou
e os passos ficam marcados na areia só enquanto a onda não vem 

E depois, depois já é cedo 
e sempre haverá tempo pra nós
porque eu já perdi o medo do futuro que eu não pedi
Me restam apenas o chá quente a a vontade de não me iludir 


Susto

Repousa na brisa suja de experiencias inocentes
Repleta de si mesmo regala os olhos ao ver o céu cinza
E as músicas, e as línguas e os abraços continuam a sufoca-la 
Como vestígio solto de tardes de verão que passaram ligeiro

Aliás como tudo que sempre passa rápido
E no cinema de segunda-feira encontra choro em banco desconhecido
Vê-se refletida no espelho da tela grande de pequenas ilusões
De águas límpidas repletas de poeira do tempo, de sal e de suor

E agora inquieta com o vento frio
Espero desesperadamente que tudo gele, assim, embranqueado profunda-mente 
Quero ver clarão de inverno, quero ver o frio materializado em flocos
Quero tudo isso somente pra assistir a  desfazer com os raios de sol

E mesmo que seja de manhã e o café ainda esteja na mesa, ela se regala com o dia
Ela deixa transbordar no corpo a vida que  tem no relógio
Ela ver cair pelo chão os anos da infância e da juventude
Ela espera os cabelos brancos e a dor nas costas
Como quem abre um sorriso pra morte e diz obrigada a vida que teve