E agora, já posso ser feliz ?
Até quando vou ter que bancar a descontente pro mundo me dar
seus aplausos miseráveis ?
Já posso dizer, é verdade
Me pertenço
Paguei muito caro por mim mesma, em prestações eternas ao
tempo
Mas posso sorrir sem peso, sem drama
E de noite, quando tem lua cheia, sai no rua descalça com o
brilho das estrelas em minhas mãos
E mesmo na mesmice cotidiana a poesia simpática e amadora é
capaz de me inspirar
Me tira pra dançar numa tarde de terça feira
Me repete verbetes falsos e banais
Com versos sobre amor e brincadeira
Não, eu não to cansada
Por mais que meus diálogos sejam monólogos
Por mais que as vezes chova forte em mim
Eu tenho um certo destino a cumprir
Que é viver o próximo segundo
E não pensar em nada mais
E me restam 20 minutos de discurso desfiado
Me restam pouco tempo de prosa empoeirada de saber
Eu queria mesmo era botar fogo em tudo que me deram
Incinerar todas as bagagens ancestrais
E sair flutuando por cima do muro
Morrendo de rir e voando de amor
Até quando vamos ficar remoendo esse passado que já passou ?
Que todo mundo já conhece, esse mesma chatice cinza de vida
pequena?
Retomemos sem olhar no retrovisor
que o trator da vida já passou
e os passos ficam marcados na areia só enquanto a onda não vem
E depois, depois já é cedo
e sempre haverá tempo pra nós
porque eu já perdi o medo do futuro que eu não pedi
Me restam apenas o chá quente a a vontade de não me iludir