Caxambu
Seu outono é tão triste
que no inverno o amor quase morre
com uma respiração desapercebida do pensamento
Minha relação contigo é inacabada
espero ter de volta as tardes da infância
em que eu depositava em você a raiva
Incompleto, importuno e vazio
a vida que tive aí foi, de fato, embrionária
maturei os contornos de um ser que foge
que arruma desculpa
que vive na calçada
Entreguei-me a paixões insanas que me levaram pro lugar onde estou
pra você não volto nunca mais
Aí você me roubou
sábado, 29 de março de 2014
O saudosismo da minha parte
Dos leões que não morrem todo dia
Compreende a vida desapercebida
Neste lugar tão sóbrio e tão hostil, casa
Os que perto de mim chegam
Descobrem logo a cor da alma
De quem esta disposto a conceber
E a realinhar a nossa palma
A arte da plena poesia
Nos dedos que quem não a conhece
Parem e saltam entre as palavras
Desesperados por rima
E a que a dor deixa marca
Não é desistência nem alegria
É o querer de quem afaga
O verso que tanto pressentia
sexta-feira, 28 de março de 2014
A espera
Há um menino
a esperar.
Os números
humanos insistem em andar, sem parar.
De um lado
parar o outro, sem saber pra onde ir.
Ninguém foge
aos padrões, apenas alguns poucos - moribundos-, inconstantes almas, passam
despercebidxs também.
A coloração,
múltiplas de infindas cores, nas roupas se tornam corporais, intrínsecas à
personalidade fazem parte da identidade de identificação, mesmo que esta seja
falsa e ilusória.
Carências se
fazem notar à medida que vida grande passa vazia, que tem no seu lugar a não
origem e o que não é de ninguém.
A
experiência se tornou falha quando por um acaso se percebe a perplexidade de
indiferença.
Algo este
errado aqui.
Cada um
vivendo sua medíocre vida à espera do outro que nunca chegará. Ou melhor, à
espera de respostas que nunca chegarão.
Os olhares,
atentos e repetitivos, buscam algo de interessante e anti-monótono. Não acham.
Através dos
passos rápidos, se imprime a pressa da resposta. Ninguém aqui sabe onde está.
Não há
propósito algum em não ajudar.
Os óculos
escuros disfarçam olhares cinza, escondidos dentro de si mesmos.
Mãos e pés
cansados, peles suadas, vidas amarguradas, não param de andar.
Conselhos,
discussões, vozes altas, absolutamente em vão.
O espelho da
vitrine reflete corpos sem vida. O ideal nunca existiu. É só consumação.
Dentro de
seus pequenos grandes mundos, rodeados de desconhecidos, outros sozinhos
humanos falam ao telefone: aparições de
sentimento.
Compras e
presentes; família versus preconceito. Fictícios personagens de uma vida talvez
real, talvez boa.
As crianças
são assustadas e eu as entendo.
Anéis,
tatuagens, brinquedos, celulares, bolsas, saias e sorvete andam pelos
corredores do shopping, gritando.
Fones de
ouvido tampam o buraco pelo qual agora não entra mais nada, diferente de antes
que entrava muita coisa, muita merda.
A música
ouve o silencio e fala o que se sente sem que precise explicar.
Viagens
marcadas, esperanças mortas, dor e alegria no café da manha.
Um livro
acabado, um outro começado, a dor de não
saber dizer não.
A
dissonância da vida, os caminhos-labirintos,
nos perdem depois de achados.
Ternos no
verão, moletom nas mãos, gelo no coração.
Nenhuma
risada verdadeira.
O som da
máquina de suco esvazia o pensamento, a mente limpa liberta o tempo. Ouviu seu
nome? Mas ninguém te chamou.
Quem é
galinha pintadinha?? Um dia em branco e muito sono.
À espera de
achar o que não procuram, todos erram e ninguém quer ajudar.
Vômito
O que me interrompe do devaneio ensandecido de questões a serem respondidas é a explosão de romper o laço de uma conversa falsa ao telefone.
Por que me procuras?
Qual é a razão de vivermos imersos a tantas incertezas e dúvidas despregadas de verdades absolutas e prazer?
A raiva que cativa a todos os sentimentos é a pólvora da alvorada de mudança.
a revolução que se faz no peito de quem já amou inspira qualquer poeta a escrever sandices das mais tolas com a vontade de expressar desejo profundo de não passar mais por isso, vontade de não ter se identificado com o pensamento ou com o fato inpirador.
A tristeza que nos toma as terças a tarde é a mesma da morte, da vista do mar e da montanha, é a mostra da profunda barreira da humanidade a se ultrapassar de vista. E a preguiça contendo dentro de si um planeta inteiro de vivacidade.
Depois que se volta pra casa se entende a dor de quem não se encaixa em lugar algum, se entende e se sente o porquê de tantos desejarem desesperadamente amar e serem correspondidos. De escreverem e serem lidos, se rezarem e serem atendidos, de vender e serem pagos. De respirar e serem aliviados. O sentimento inominável que sinto me transborda de vontade de ir além de tudo, para que o nada que existe em mim se tranforme em apenas vento.
Para que esse nada(vento) me invada e tome o espaço do tudo que te tem e assim acabará a vida.
O esboço do sentimento misturado com a vida mal interpretada leva os dedos a exaustão de compreender o cérebro torto.
Já chega por hoje.
O que me interrompe do devaneio ensandecido de questões a serem respondidas é a explosão de romper o laço de uma conversa falsa ao telefone.
Por que me procuras?
Qual é a razão de vivermos imersos a tantas incertezas e dúvidas despregadas de verdades absolutas e prazer?
A raiva que cativa a todos os sentimentos é a pólvora da alvorada de mudança.
a revolução que se faz no peito de quem já amou inspira qualquer poeta a escrever sandices das mais tolas com a vontade de expressar desejo profundo de não passar mais por isso, vontade de não ter se identificado com o pensamento ou com o fato inpirador.
A tristeza que nos toma as terças a tarde é a mesma da morte, da vista do mar e da montanha, é a mostra da profunda barreira da humanidade a se ultrapassar de vista. E a preguiça contendo dentro de si um planeta inteiro de vivacidade.
Depois que se volta pra casa se entende a dor de quem não se encaixa em lugar algum, se entende e se sente o porquê de tantos desejarem desesperadamente amar e serem correspondidos. De escreverem e serem lidos, se rezarem e serem atendidos, de vender e serem pagos. De respirar e serem aliviados. O sentimento inominável que sinto me transborda de vontade de ir além de tudo, para que o nada que existe em mim se tranforme em apenas vento.
Para que esse nada(vento) me invada e tome o espaço do tudo que te tem e assim acabará a vida.
O esboço do sentimento misturado com a vida mal interpretada leva os dedos a exaustão de compreender o cérebro torto.
Já chega por hoje.
Na poesia escondida na janela aberta.
Descalça repouso no pouso da janela aberta, por onde o vento gira, gira.
Mesmo que artificial o desejo sempre está vivo, posto ou não na juventude que carrego, sei que é pra além da hora de viver.
Fecho os olhos na tentativa de nos sonhos alegrar sorrisos cansados. O meu se mantém assim, neutro e incansável
Descalça repouso no pouso da janela aberta, por onde o vento gira, gira.
Mesmo que artificial o desejo sempre está vivo, posto ou não na juventude que carrego, sei que é pra além da hora de viver.
Fecho os olhos na tentativa de nos sonhos alegrar sorrisos cansados. O meu se mantém assim, neutro e incansável
Os nós de nós
O tempo curto
E nós,
Sentados a discutir egoísmo
O tempo curto
E nós,
Ditando individualidades
A agredir o coletivo interno
O tempo curto
E nós,
Distante, ignorando o medo
À vontade de amar
O tempo curto
E nós,
Sem entender os nós
A transitar pelo silêncio constante
De nossa solidão
Agosto/ 1999
Rogério Manzolillo
O tempo curto
E nós,
Sentados a discutir egoísmo
O tempo curto
E nós,
Ditando individualidades
A agredir o coletivo interno
O tempo curto
E nós,
Distante, ignorando o medo
À vontade de amar
O tempo curto
E nós,
Sem entender os nós
A transitar pelo silêncio constante
De nossa solidão
Agosto/ 1999
Rogério Manzolillo
Roldanas do ventilador
ventilando o ar rarefeito de preguiça, em mim
outra coisa se constrói do lado de lá do estado de bem estar
pra que querer sempre estar bem?
se é nos momentos de introspecção que encontro as incertezas da verdade
que pra mim são como quando eu descubro que na verdade nada tem sentido, e é tudo pra vida passar de alguma forma
e o que fazemos para que ela passe mais serena ou agitada é tão insignificante quando o sopro do vento, me acalmando.
brilho do céu, brilho de mar, brilho do amor incontrolável, glitter da favela que sofre, pulmão e ventilador.
Tardes de terças-feiras sempre me intrigando.
ventilando o ar rarefeito de preguiça, em mim
outra coisa se constrói do lado de lá do estado de bem estar
pra que querer sempre estar bem?
se é nos momentos de introspecção que encontro as incertezas da verdade
que pra mim são como quando eu descubro que na verdade nada tem sentido, e é tudo pra vida passar de alguma forma
e o que fazemos para que ela passe mais serena ou agitada é tão insignificante quando o sopro do vento, me acalmando.
brilho do céu, brilho de mar, brilho do amor incontrolável, glitter da favela que sofre, pulmão e ventilador.
Tardes de terças-feiras sempre me intrigando.
Sobre a sombra do clichê repousa o vento da discórdia
Pensando em consertar os erros que não cometi me perco dentro de mim na busca da verdade
É verdade que o vazio que invade na manhã da madrugada é sóbrio
É verdade que o querer ficou confuso
Que a solidão perturba apensas o coração de quem não a quer
Que o sol que ferve e o mar gelado limpam a alma dos pensamentos ruins
E que para mim todas as terças feiras da vida hão de ser homenageadas.
Pensando em consertar os erros que não cometi me perco dentro de mim na busca da verdade
É verdade que o vazio que invade na manhã da madrugada é sóbrio
É verdade que o querer ficou confuso
Que a solidão perturba apensas o coração de quem não a quer
Que o sol que ferve e o mar gelado limpam a alma dos pensamentos ruins
E que para mim todas as terças feiras da vida hão de ser homenageadas.
E como já era de se esperar, eis que em uma terça a tarde, sobre os envergonhados raios de um sol de inverno, em meio à livros de economia política, a chuva não espanta a inspiração de deixar que os pensamentos vãos perpassem a mente na esperança de serem concretizados em palavras doces e sinceras sobre a bastarda vida nos dada.
Examino as conversas despretensiosas com uma amiga, da noite de estudo que não foi, e percebo a influencia de certezas tão benevolentes em mentes que insistem em achar significado pras coisas.
Realmente acredito que estou certa quando digo que não importa se a verdade mora nas conclusões que tiramos e especulamos, já que pra mim não passa de uma pura questão de escolha a interpretação dos ocorridos.
A falta de merecimentos que reconheço ter da vida boa que esgoto todos os dias foi desfecho da madrugada quente de um quarto claro.
Reconheço que nossa beleza não passa em concurso e que isso nunca nos importaria, pois a que nos foi concedida foi a beleza de se poder pensar. Ah, sim. A gente pensa muito. A gente muda de pensamento e a gente critica as mudanças. A gente tenta descobrir o porquê das vontades e o porquê das burrices, mas a gente não para de viver.
Reconheço agora a beleza de escrever vendo meu reflexo na tela do computador, promovido pelo sol que invade minha sala e a mesa de madeira antiga, meus dedos parecem seguir um ritmo soprado pelo vendo da inspiração. Mas isso quase nunca acontece.
Apenas nos dias como os de hoje, quando se tem uma prova muito pica e qualquer coisa se torna motivo pra filosofar.
Examino as conversas despretensiosas com uma amiga, da noite de estudo que não foi, e percebo a influencia de certezas tão benevolentes em mentes que insistem em achar significado pras coisas.
Realmente acredito que estou certa quando digo que não importa se a verdade mora nas conclusões que tiramos e especulamos, já que pra mim não passa de uma pura questão de escolha a interpretação dos ocorridos.
A falta de merecimentos que reconheço ter da vida boa que esgoto todos os dias foi desfecho da madrugada quente de um quarto claro.
Reconheço que nossa beleza não passa em concurso e que isso nunca nos importaria, pois a que nos foi concedida foi a beleza de se poder pensar. Ah, sim. A gente pensa muito. A gente muda de pensamento e a gente critica as mudanças. A gente tenta descobrir o porquê das vontades e o porquê das burrices, mas a gente não para de viver.
Reconheço agora a beleza de escrever vendo meu reflexo na tela do computador, promovido pelo sol que invade minha sala e a mesa de madeira antiga, meus dedos parecem seguir um ritmo soprado pelo vendo da inspiração. Mas isso quase nunca acontece.
Apenas nos dias como os de hoje, quando se tem uma prova muito pica e qualquer coisa se torna motivo pra filosofar.
E por que fica cada vez mais poético a foto mais banal da realidade?
E por que não poetizar cada segundo de normalidade?
Pela fala do interfone, pelas lembranças do metro, pelas tardes de domingo.
Há em mim a sede ferrenha por espantar as palavras, assim como de susto mesmo. Meio para que elas se aquietem na minha mente e parem de pedir pra saltar pro papel, às 5 da manhã, agora.
Que maldosa a sede de escrever, de transpor na comunicação portuguesa algo que chegue perto do sentimento.
As lembranças que causam saudades são o motor dos livros de poesia.
Que o metro que carrega história, vida, cansaço e esperança, nunca pare. Mas que sempre hajam os que andem nele, assim, por andar.
E por que não poetizar cada segundo de normalidade?
Pela fala do interfone, pelas lembranças do metro, pelas tardes de domingo.
Há em mim a sede ferrenha por espantar as palavras, assim como de susto mesmo. Meio para que elas se aquietem na minha mente e parem de pedir pra saltar pro papel, às 5 da manhã, agora.
Que maldosa a sede de escrever, de transpor na comunicação portuguesa algo que chegue perto do sentimento.
As lembranças que causam saudades são o motor dos livros de poesia.
Que o metro que carrega história, vida, cansaço e esperança, nunca pare. Mas que sempre hajam os que andem nele, assim, por andar.
A menina de blusa amarela passando na calçada...
"Ei, vê se daí você consegue parar o tempo!"
Congela-lo e convertê-lo em bônus temporais - ela nem olha
Eu que não me sinto disposta a falar de nada
Não quero esperar o vazio da esperança que chega de tarde
Quero sair agora, correndo pela rua e pular no mar, depressa.
Ele então, gelado e áspero vai me abraçar
Dizer pra eu ficar calma, que a vida não pode ser assim tão rápida
Me dar um banho de choque e medo
Vai dizer que estou errada
Que não sei viver direito
E que é direito meu ser assim
Vai me acalentar no seu sossego
Vai me fazer voar no seu azul
E vai me dizer pra ir pra casa, feliz.
"Ei, vê se daí você consegue parar o tempo!"
Congela-lo e convertê-lo em bônus temporais - ela nem olha
Eu que não me sinto disposta a falar de nada
Não quero esperar o vazio da esperança que chega de tarde
Quero sair agora, correndo pela rua e pular no mar, depressa.
Ele então, gelado e áspero vai me abraçar
Dizer pra eu ficar calma, que a vida não pode ser assim tão rápida
Me dar um banho de choque e medo
Vai dizer que estou errada
Que não sei viver direito
E que é direito meu ser assim
Vai me acalentar no seu sossego
Vai me fazer voar no seu azul
E vai me dizer pra ir pra casa, feliz.
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