Implacável e sereno como tudo que vem da terra
Silenciosamente te detona, bem devagar
Inóspito como a agonia de uma dor
Repousa serenamente na morte e na constatação do que é amor
Namorei o azul do céu celeste
Com o verde escuro da mata da minha terra
E me vi refletida em todos os dias de chuva fria nas manhãs
vazias dos dias cinzas
Na infância arqueada de silêncios
Nas curvas de uma vida traçada
Com lápis, borracha , canetas e água morna
Odeio tudo que é morno
Do café da manhã frio
Das rabugices desconcertantes
Do olá mal dito
Do olhar sempre pra baixo
Cansei-me de tao pouco achar em tantos corações cansados
E desesperei-me vendo o dia amanhecer e o cheiro das flores
me invadir clareando meus passos covardes, estraçalhando meu divagar
contínuo, profundo
O sino da igreja tocou
Me avisando que é hora de partir
Repousei minha mão sobre a sua
Numa tentativa de refrescar os pulmões e
reencostei meus olhos no mar
No azul calmante da história pra esperar seu despertar
Além do hoje
Pra sempre na eternidade do segundo que contém meu espírito
afogado no amor.