sábado, 25 de abril de 2015

De fora em mim

Implacável e sereno como tudo que vem da terra
Silenciosamente te detona, bem devagar
Inóspito como a agonia de uma dor
Repousa serenamente na morte e na constatação do que é amor

Namorei o azul do céu celeste
Com o verde escuro da mata da minha terra
E me vi refletida em todos os dias de chuva fria nas manhãs vazias dos dias cinzas
Na infância arqueada  de silêncios
Nas curvas de uma vida traçada
Com lápis, borracha , canetas e água morna

Odeio tudo que é morno

Do café da manhã frio
Das rabugices desconcertantes
Do olá mal dito
Do olhar sempre pra baixo
Cansei-me de tao pouco achar em tantos corações cansados
E desesperei-me vendo o dia amanhecer e o cheiro das flores me invadir clareando meus passos covardes, estraçalhando meu divagar contínuo, profundo

O sino da igreja tocou
Me avisando que é hora de partir

Repousei minha mão sobre a sua
Numa tentativa de refrescar os pulmões e  reencostei  meus olhos no mar
No azul calmante da história pra esperar seu despertar

Além do hoje
Pra sempre na eternidade do segundo que contém meu espírito afogado no amor.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Outono fértil estéreo

Eu sei que as flores de maio vão reflorescer na minha alma

Agora: tudo parado, solto, silenciosamente incômodo, lua clara no céu escuro e o silêncio de uma vida que se absteve, sentimentos, pânico, ausências, café, mãos vazias e solidão;

Agora: Lua risonha, brilhando num céu de montanhas verdes, eu aqui, parada na janela da cidade pequena, ouvindo os sons do pequeno mundo, esperando minha mãe.Sentimentos, flores, cheiros, chuvas, manhãs solitárias, tucanos no quintal. 

Eu na janela. Você ai parada no ar.

Eu não faço mais questões, agora que minha vida repousa flácida nas mãos de um destino loucamente desenfreado e desconhecido. Danço.



terça-feira, 7 de abril de 2015

Pra uma amiga assim como eu

Quis me desculpar durante todas essas horas
Mas não achei jeito nem caminho entre o orgulho e o descompasso do coração
Pensei no que aconteceria quando eu me relacionasse com alguém parecida comigo
E logo vi nós duas, naquela noite, com aquele olhar, e aquela dor

Assim como eu, você descobriu a arte do verbo rasgado
Do palavra corrida em busca da razão, muitas vezes desconhecida
Do passo antes do penso
Da resposta antes da pergunta

E mesmo me vendo, assim como você
Refletida no espero dos olhos do outro, nos seus olhos
Sentindo o desespero de ser assim
Eu quero recomeçar, quero reaprender, quero tentar
De novo, de novo, de novo, de novo.

                                                                 INFINITAS VEZES

Porque eu sou você
Poque eu amo você
Porque estamos juntas na mesma caminhada, nos mesmos erros, escrotos, frágeis, se protegendo atrás das mesmas razões insanas, insignificantes no tocante da vida.
Representando o que não queremos, o desamor que não sentimos: discutimos em busca do nada no vazio.

Vazio que será minha vida sem você, baseado no nosso fracasso de não conseguirmos conviver por não suportar nos enxergar tanto.



Quer tentar outra vez, de mãos dadas, pra sempre e sem fim?