quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Tantriquizar

Fazer da vulnerabilidade força
do toque cura
do afeto antídoto contra a guerra

É um mar, oía, olha o mar
Tinha gente de tudo quanto é lugar 
Tinha medo enrijecido na pele 
Tinha o toque a desmistificar

Fomos nós caminhando por entre 
os abismos de nós mesmas
percorrendo na outra o caminho 
para nós 

Desnudando a vergonha
recompondo as partes fragmentadas
Da confiança que se faz necessária
para poder ser 

Sermos de nós 
Para sermos com as outras

Acolher os nos 
para que transformados em laços 
preservem os traços  
ampliem a misericórdia 
restaure a memória no amor 

Olha lá o mar 
é o mar é o mar 

fomos flutuando 
desnecessárias 

Pelo mar de pele e pelo 
Por entre cicatrizes calmamente 
esculpidas pelo tempo que tropeça na terra 
fomos nos reerguendo 

Se reconhecendo onda na imensidão de um oceano de água
cada vez mais clara
tranquilizando a maré 
que reverbera espuma onde antes 
não vimos sequer areia 

Somos isso 
essa onda que se faz mar 
quando se reconhece parte 
participante 
atuante, pequena e importante 
Somos isso 
balancê do aprendizado 
tocando com a ponta dos dedos 
a profundeza da alma 

Passando pela terra e chegando ao céu.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Sátira

Esses dias foram de insano delírio
revejo as traves enferrujadas do campo de futebol no mato e me sinto flutuando
eu não queria rever poemas antigos dos quais já tinha me abdicado
mas o amor pega de um jeito sempre igual

Eu relampejo sentimentos
amorosos e odiosos de uma vida doce
caí
fui lá rever o céu do dia de mim de dentro de nó  - nos
 eu queria reverberar pra sempre dentro do grito que tudo desfez em gotículas de palavras

essa semana toda eu passando o tempo das horas encaixotadas pra gastar na vida que eu quero
depois eu volto

eu sou maior do que os travessões de sua fala
eu cresço e me apodero da vida onde esqueces de podar as pontas

sou essas pequenas raízes que restam e restam e vão

e depois das chuvas elas vão dominando de novo o que já era delas e vão descendo as montanhas antes inabitadas

somos todas as colheitas mais antigas de luta por uma grande liberdade de ser

de sentir


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A profundidade do que invade

Noite fria
Velas acessas
Vocês descalços na sala
Sentados pelas almofadas ao chão
Respirando a fumaça da enforia calma, tão precisa e preciosa
Eu, envergonhada
pisoteando as incertezas
Com medo de adentrar
A vida

Medo de tocar os corpos
Com sede de intimidade

Foram se desfazendo os nós
E se abrindo o abraço, o toque
cada vez mais largo, cada vez mais forte.

Até que mergulhamos.
O jazz ritmando os movimentos
O encaixe brincando de adivinha
Nós, sombreados pela noite
Abertos ao acaso
Desleixados com as velhas tradições
Loucos de desejo.

Amanhece lá fora
Água escorrendo branda do corpo lépido
Cai chuva interna
Vontade de ficar
De beijar
De deixar continuar
Infinitamente

Até a tremedeira que me dá
Decidir morar em mim
E a vida ganhar outra cor.
Celeste-prazer-carnal
Corpo que ligado, ferve o sangue.

Que descoberta.
Que ternura.
Que espanto bem-vindo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Três

E qual é mesmo o papel que preciso?
Preciso ter um papel?

Preciso ser observada ou atuar?
Atuar? Amar?

Preciso ser eu?
Eu mesma, acostumada, conhecida, esperada, subversiva, romântica, alegre, rápida e desesperada?

Não.

Não preciso do replay de mim
Viciado no erro, com medo de largar o hábito de ser eu.
Agarrada a carcaça esquelética da infância, dançando uma não-música numa sala fria e vazia
dentro de mim.




E quando arrisco a dança do novo
estremeço o chão de trincas
e gritos

Vou colorindo de desejo e absurdo
todo o caminho
Que antes era branco

Estava repleto de mim, cansado de mim -  repetida -  mal querida
conhecida, chata, sem graça
Perfeitamente banal na imensidão

E com passos que vão se atualizando no compasso da relação com o outro
vou me diferenciando
estremecendo ... me entregando
guarnecendo
colhendo
gemendo, gritando..........até               EXpLoDIr.

de azul    vermelho    e roxo

Todo o quarto quente
Todo o céu branco
Todo o vento morno
Toda a tarde branda
Toda a primavera sã
Todos os corpos tontos
[Todo desejo. ]

Reativando as partes esquecidas e recobrando as facetas de vida que se torna, novamente larga
segura, completa, limpa
  Sem peso do corpo

Com o peso do corpo todo
Nu
Suado, nutrido, cansado, tremendo, metade gelado, metade quente                    Desestruturado
fragmentado em partículas de pequenices mundanas

em construção.


Demasiada foi a espera pra chegada da onda que tudo invade e num curto espaço de tempo
transforma, renova e transgride
tudo que era antes água parada
agora é fluxo de enxurrada
cachoeira
espumada
corrente
quebrada


Na varanda escuto a água que escorre
pelo chão e pelos poros

Sou água que inunda, que molha por dentro e por fora

transborda.

Ato

Hiato 
                                                              Espera
Compasso                                             
Cores
Ressalva 

Sorriso 

Permanência
Desejo
                            Compromisso
                                                                                                                                                  Esperança
      Afinco

Sábado
Chá
Silêncio 
Sabedoria 
Calma 
             Tropeço
                                    Espirro
Apneia 
Espontâneo
Espanto. 



quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Assumo o rascunho

A ansiedade é um bicho que come de dentro pra fora
é a cutícula presa da unha do pé
É uma aberração dos nossos tempos

e tem tantas tralhas na minha mochila. Nem sei mais quantas sou.

hoje foi feriado, assim, de repente
Eu ouvi a manhã chegando com a cara da ressaca e quase não consegui respirar
A fumaça doce entrando pela garganta e o peso de todas as mudanças fazendo música aos meus olhos

olhos cor de espanto breve

que passa passa rasga queima devora dispara dissipa amedronta e ataca o presente

a praia lá parada azul piscando beleza aos corações dos que nada querem ver

Eu comi o presente sem perceber e depois fiquei me apoiando na bengala da culpa pra me divorciar da vida, mas aí quando fui tomar banho e percebi o peso da dor nas costas eu nem consegui chorar.
Fui só pisoteando as mágoas e saindo rápido do banheiro, esqueci de me masturbar, e era tarde. Era cedo.


Sempre quero mais de tudo e nunca sobrou lugar pro nada.
Tem voz na canção. Calma que você já vai ver.

Meus pés repousando na areia suja da praia linda
a bicicleta azul observando o mar
É tão triste quando se esquece uma frase bonita
E tudo carburou perfeitamente num sorriso


Eu a lua e o mar

Estava tudo recortado em quadrinhos, labareda.


E fui ficando pequena, mais pequena, até que os olhos se inverteram de medo e tive que parar de tremer. no agora e no silêncio.
Nocivamente brincando

Solto meu corpo e respiro grandes incertezas.
Eu e minha vida por um tiro de palavra.

E nada repousa mais mórbido naquela Esfinge.Apenas ela lá reinando, todo corpo feito pedra, deitada, majestosa nas terras do Egito, na margem oste do rio Nilo, em Gizé, lá no Egito.
Egito.
Egito.


Eu já fui lá em sonho, e agora me encontro presa, condensada. Perplexa com o passar dos anos.
Nada do meu amor tem mais olhos brancos do que aquela manhã de fevereiro onde corri campos em suor e naquela cama ficou todos os nossos poros pregados no lençol fonte-testemunha.

Agora começou a chover, acredita? Eu quase tô sorrindo.
Pera.
Eu sorri sim.
Parei a música pra ver se não era sonho.

Então sente: tenho o privilégio de digitar meus devaneios enquanto goteiras de nós orquestram sinfonia de pingos em telhas de tijolos e chão frio.


Pés que caminham por água de chuva ão de caminhar melhor, pra sempre.Eu sei que você sabe disso.

Vai se abrindo de mansinho às massagens que a respiração faz no pulmão e vai ganhando espaço para a existência.

E num momento onde tudo começa pela ânsia, tudo cessa pelo batuque da água. E desfaz os nós da parte escura de nós.

E vai preenchendo os cantinhos antes vazios agora inundados.

E vai flutuando e carregando a sujeira das nossas casas de interior.


Diariamente.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Cartaz

A gente precisava estar fechados na sacada do prédio quando o mundo caiu lá fora
me lembro dos seus gritos e um ar de que alguma coisa muito importante tinha se quebrado pra sempre


Eu tenho saudades dos tempos em que eu batia com o pé mais firme no chão

Quando descobri que a arte me elevava pros outros mundos eu quis primeiro ver se merecia tal proeza do abandono
Quis saber se conseguiria mesmo tirar os pés do chão e voar lentamente pelos morros quentes da cidade veraneio

Eu não quis me declarar ilusoriamente perdida de afeto e compreensão mas recusei o teu amor

Eu vi cigarros matando flores cotidianamente e nós sozinhos, sem perceber pra onde a vida ia, nos tremendo de medo
raspando o que havia de esperança pra depois mergulhar numa lama de incertezas e desconfianças

Eu estava parada no meio da rua quando a lanchonete em que voce lanchava fechou e eu te vi levantar e sair calmamente pela calçada suja sem querer encontrar ninguém e na espera de nada

Eu não consegui correr pra lugar nenhum naquele momento

Respiro essas lembranças de uma vida que parece não ser minha e os dias vão se embaralhando como as horas e as missões impossíveis que assinei em contrato antes de nascer

Não sei agora o que fazer com essa necessidade de ser feliz e com calma viver

Não vejo absolutamente ninguém que esteja conseguindo e isso é apavorante

Seja pra onde for que os versos estejam correndo
eu quero deixar registrado que mesmo com medo e sem dormir eu gosto de todos vocês que habitam esse mundo

que eu reconheço a beleza que há em tudo e principalmente nos sonhos

Eu  não quero acreditar no desamor que prevalece

Minha alma-flor anti-estática pratica demasiado afeto para se prender na frieza da imensidão do silêncio que carrego em mim
Naquele dia, despedaçada pelo nosso fim eu cortejei a minha defesa, que armada quase me deu um tiro

e de ponta pé eu fui descendo as ruas montanhosas da cidade, peguei uma carona e fui embora

até hoje estou indo

Até  conseguir voltar pra dizer que tudo isso me pertence
e que nesse momento eu não preciso de nada que não seja o que eu já tenho dentro de mim.


amor meu pra tudo que vier.

Nós e o universo somos um.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Aahhhown

Tem um assunto parado sempre no ar pra ser acessado quando a mente respira fundo numa pausa não programada no meio da vida, no meio do dia. 

As luzes que invadem a pele através dos olhos são semelhante aos sóis de inverno que brilham sem esquentar. 

Existe uma certeza mansa que nos acompanha sem que tenhamos consciência dela.
Existe uma proposta de tarde serena, papo descontraído e abraço forte. 

A menina não sabia que quase tudo que pensava era inútil, e quando descobriu, decidiu sentir quase tudo de uma vez só pra poder se livrar instantaneamente das impurezas dos pensamentos viciados .
Quis correr pro tempo voltar. 
Não deu muito certo mas isso fez com que ela aprendesse. 

Aí se afogou um pouco em tempestades de lágrimas atrasadas que por estarem atrasadas pareciam vir com mais força e não respeitar o tempo do sopro do ar, ou melhor, o tempo que o ar leva pra entrar, inundar os pulmões de vida, e depois sair.

Ela se viu no próprio mar, agarrada numa proa despedaçada de incertezas.

Ouviu uns versos de uma música perdida no tempo e pensou ser tudo passageiro.
Um dia a gente aprende. Um dia a gente confia na gente. Ela ria e chorava.

Tem ainda esse cotidiano que fere, esfola e inibi a espontaneidade de florescer nas manhãs cheias de beleza. 

Tem uma bela promessa pulsando no meu coração de vida melhor, vida melhor, vida melhor. 


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Das terças virais

Têm homens fumando charuto nas meses da tabacaria do centro da cidade
Eles são cópias nojentas de um protótipo em extinção
De uma luta por aniquilamento do outro
Mas eles não são culpados, ou pelo menos não são os únicos.

Divisão inoportuna dos dias em momentos onde retiro o ar com mais qualidade do mundo ou apensas vivo.
São sonhos que crio e deixo flutuar sobre um céu azul de algum lugar do mundo.
Algum lugar muito dolorido.

São dias,

Na imensidão dos tetos e dos diálogos há sempre demasiada indolência obscurecida.
Há sempre aquela conhecida falta de sentido.

A vida vai passando e as coisas ficando para trás
Umas pulam a correnteza coesa dos acontecimentos e vão se transformando em lembranças que se assemelham à fatos acontecidos, mas são apenas criações de uma mente atravessada pela sociedade moderna-doente.

Ninguém consegue entender os porquês de tudo existir a todo momento que a vida é vida, propriamente dita.
Eu erro muito, toda hora. E talvez seja mesmo assim que seja pra ser. Erros.
Coloridos, divertidos, repetidos, encantados, sofridos, culpados: erros.

E não tem final feliz.
E não tem perda de culpa.

Têm flores e manhãs. Têm prazo  e recompensa.
Têm luas lindas a agigantar o céu claro de estrelas.

Amores perdidos, esperanças renovadas, datas que passaram e que se esqueceram. Se perdem ao esbranquiçar do tempo, semelhantes às idades.

Algo que nunca mais será encontrado.

Infâncias lindas e formadoras do agora se retraem para dar espaço para o novo. O novo que reconstruímos para depois esquecer.

Vícios que adquirimos para depois mudar e ser outro.

Na ineficácia das correntes de pensamentos, sinto minhas costas cansadas de tentar ficar eretas e falharem.

Sinto o amor distante porém latente, poente.

Eu queria ser uma bomba.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Por todas

Tô aqui carregando o peso do desamor que vem de mim
me culpando por me achar incapaz
por não me amar quando erro
por não ceder quando choro

Mas no dia-a-dia as coisas ficam quebradiças
vai tudo se coisificando e perco o sentido dos sorrisos facilmente se não olho atenta
Eu desnudo a vaidade dos outros com uma certa facilidade
Mas a minha fica trancada por um chave enigmática que até hoje ninguém me ajudou a achar

Sou de uma natureza desconhecida por mim
e me acho egocêntrica se fico pirando, procurando entender o meus mecanismos
Sinto-me sozinha e de vez em quando tenho medo por gostar tanto assim da solidão

Quando me obrigo a fazer algo
desabo por completo


E é isso.


Inviável seria  me odiar por encontrar aqui lugar de desaguar
Isso prova que me amo
Isso prova que me procuro e que me acho nas palavras que soltam da minha vã filosofia

Nas minhas nadadas falidas do amor.

Prometer falhar e ser imperfeita, meio que todo mundo faz, meio que pode ser até uma zona de conforto.
Eu não sei nada sobre mim e isso me assusta na mesma medida que me encanta.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Poema do Vinho

Como posso eu segurar o copo sem esquentá-lo? Aprenda a reter algo em você sem modificá-lo. A tocar sem interferir. A amar sem danificar. Depois continue.
Quanto mais laranja e marrom, mais velho se apresenta a bebida.
Então as cores da alma do vinho se espelham na mistura do por do sol e do tronco das árvores. Tá aí a concepção sábia da velhice: sol que se vai e deixa o céu alaranjado de saudades; tronco que no marrom guarda as marcas da história de uma vida longa de observação, imersão e calma.
Quando bebo, observo: coloração, cor e cheiro. Nessa ordem. Por favor, não modifique o ritual das coisas boas.
Depois atente para o reflexo da bebida. Se violeta claro: vivente. Se marrom: maduro.
Atenção, pois para bem se ver o reflexo da alma de um vinho, deve-se olhá-lo atrás de uma superfície confiável, estável e limpa. Para se ver bem algo é preciso de calma, sabedoria e transparência. Pois então uma parede branca se faz necessário.  Algo de concreto para fazer ver.
Na sequência a poesia dos aromas. Sinta o cheiro desse líquido.
Sinta se seu aroma muda da calmaria de um copo estável para o balancê de um copo que gira em si mesmo na busca incessante de misturar suas partes perdidas da memória de sua constituição e feitoria.  Repita o antes de o depois. Entre nessa dança de partículas. Sinta seus átomos exalando história.
Perceba como é a mutação de algo que está estático e algo que se move em si.
Rodopie esse líquido na intenção de transformá-lo em algo que ele nunca foi. Rebole suas partículas para que ele sinta sua potência energética e se entregue, liberando assim seu sabor. Sua magnitude elaborada de tropeções, socos, ondas reversas e versas.
Sinta as mudanças de paladar, de aroma, de arrepio, de sentimento, de emoção, de sensação.
Deixe que esse líquido encontre sua boca quente numa perspectiva embriagante de afeto e acolhimento.

Deixe que o vinho te enterneça. 
Te adormeça.
Te ensine a amar. 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Pro meu amor

Eu me despedaço

Tô aqui completamente desesperada com a descoberta desse amor inflado, vivo e doente

dentro de mim

Eu achei, juro, que já tinha te esquecido

Qual será o propósito desse sentimento que nunca, nunca, nunca morre?

Não quero mais te amar.
E odeio saber que eu te amo.

Eu prometi dizer todas as vezes, e agora vi que nunca te disse. Mas alguma coisa burra me diz que você sabe.

Eu tinha que passar por isso.
O amor é isso que você está vendo.

Está despedaçado mas me faz viva.

Eu errei e é por isso que me dói, porque gostaria de ter acertado e de estar ao seu lado agora, de mãos dadas com você por ai, ou com você deitado ao meu lado com seu corpo absurdamente lindo, sem camisa ao meu lado, me falando da sua vida, me contanto seu dia, sua voz grave me instigando e me excitando de alguma forma, por dentro, seus dedos, sua mão, seu toque.
Não podia ter ficado presa.

Em minha alma ficou marcada sua estadia, sua partida e seu sorriso.
Essa pequena morte.

Não.

Eu queria flutuar no tempo e voltar e partir, E ir em frente e te impedir de estar com ela.

Que ridícula a expectativa de poder penetrar em seu coração mais uma vez.
Porque me lembro que você também me amava, acho até que muito. E até ouso dizer que você também errou. Que também se precipitou,


Eu queria que você tivesse vivo no meu dia-a-dia, cheio de perdão para meus insoles deslises, cheio de receptores para o meu amor maluco, descoordenado e desvairado.
Eu queria sua companhia na trilha maldita dessa vida que contém muito mais sofrimentos e dor do que passos largos e sorrisos.

Mas agora é precisa aprender, aprender que você já foi embora e que é impossível tê-lo de volta.

É preciso sofrer para não mais errar.

Vá.

domingo, 13 de março de 2016

Goteira

Quando não certeiras, assim se desenvolvem: meus pedaços de mim caídos por aí

sem dó de quem recebe meus espirros.

Metade de mim é seco, e a outra metade é goteira

Algo que se desenha, inesperado.

Em meio à um dia comum ou bagunçado.
Pode vir depois de uma tempestade ou de um dia ensolarado.

Apenas acontece e acaba molhando alguém.
Essas espessas sobras do meu ser escrespado.

Saem tonteantemente - desesperadas.
Removem lodos, acertos e ganhos,
promovem consolo, irritação e choro.

São goteiras certeiras, as vezes bem dentro do copo.

As vezes de aguá pura que agora planta verde, com sede.
As vezes suja, lamacenta e mal cheirosa.

Passo o tempo contando goteiras, conversas e indicações medicamentosas.
contabilizo sorrisos, dores, sonhos, confissões e amores.

Disparo goteiras.

Depois da chuva forte que desaba num dia de qualquer necessidade de explosão.


EU Era de mim,
que nunca tava aqui
fui descolada de um mundo melhor pra habitar insanidades diversas .

preciso redesenhar paisagens humanas com letras e parágrafos pra sentir fazendo parte de algo maior que apenas pensar o presente e agir no agora.


[...] O único universo que todos realmente conhecem e do qual têm consciência é aquele que carregam consigo como sua representação e que, portanto, constitui o seu centro. É justamente por isso que cada um é em si mesmo tudo em tudo. 

Arthur Schopenhauer, in "A Arte de Insultar"

Rabiscos

Riscos por entre percursos desconhecidos
Ando vivendo assim, meio contente, meio empoeirada.

Meus olhos transversais
Silenciosos olhares

Meu riso alto
Grito às nuvens
vento, chuva, pássaro

Desapego-me de mim

Voo - Livre - Solta - Sozinha

Completamente desapercebida na multidão
Sempre ocupada de mim

Há parafusos se soltando
Prendo a respiração tropeça
relembro uma novela antiga

face obscura de temor e torpor.

fase obscura de temor e torpor


faço de mim obscura de temor e torpor.