A ansiedade é um bicho que come de dentro pra fora
é a cutícula presa da unha do pé
É uma aberração dos nossos tempos
e tem tantas tralhas na minha mochila. Nem sei mais quantas sou.
hoje foi feriado, assim, de repente
Eu ouvi a manhã chegando com a cara da ressaca e quase não consegui respirar
A fumaça doce entrando pela garganta e o peso de todas as mudanças fazendo música aos meus olhos
olhos cor de espanto breve
que passa passa rasga queima devora dispara dissipa amedronta e ataca o presente
a praia lá parada azul piscando beleza aos corações dos que nada querem ver
Eu comi o presente sem perceber e depois fiquei me apoiando na bengala da culpa pra me divorciar da vida, mas aí quando fui tomar banho e percebi o peso da dor nas costas eu nem consegui chorar.
Fui só pisoteando as mágoas e saindo rápido do banheiro, esqueci de me masturbar, e era tarde. Era cedo.
Sempre quero mais de tudo e nunca sobrou lugar pro nada.
Tem voz na canção. Calma que você já vai ver.
Meus pés repousando na areia suja da praia linda
a bicicleta azul observando o mar
É tão triste quando se esquece uma frase bonita
E tudo carburou perfeitamente num sorriso
Eu a lua e o mar
Estava tudo recortado em quadrinhos, labareda.
E fui ficando pequena, mais pequena, até que os olhos se inverteram de medo e tive que parar de tremer. no agora e no silêncio.
Nocivamente brincando
Solto meu corpo e respiro grandes incertezas.
Eu e minha vida por um tiro de palavra.
E nada repousa mais mórbido naquela Esfinge.Apenas ela lá reinando, todo corpo feito pedra, deitada, majestosa nas terras do Egito, na margem oste do rio Nilo, em Gizé, lá no Egito.
Egito.
Egito.
Eu já fui lá em sonho, e agora me encontro presa, condensada. Perplexa com o passar dos anos.
Nada do meu amor tem mais olhos brancos do que aquela manhã de fevereiro onde corri campos em suor e naquela cama ficou todos os nossos poros pregados no lençol fonte-testemunha.
Agora começou a chover, acredita? Eu quase tô sorrindo.
Pera.
Eu sorri sim.
Parei a música pra ver se não era sonho.
Então sente: tenho o privilégio de digitar meus devaneios enquanto goteiras de nós orquestram sinfonia de pingos em telhas de tijolos e chão frio.
Pés que caminham por água de chuva ão de caminhar melhor, pra sempre.Eu sei que você sabe disso.
Vai se abrindo de mansinho às massagens que a respiração faz no pulmão e vai ganhando espaço para a existência.
E num momento onde tudo começa pela ânsia, tudo cessa pelo batuque da água. E desfaz os nós da parte escura de nós.
E vai preenchendo os cantinhos antes vazios agora inundados.
E vai flutuando e carregando a sujeira das nossas casas de interior.
Diariamente.
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