quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Três

E qual é mesmo o papel que preciso?
Preciso ter um papel?

Preciso ser observada ou atuar?
Atuar? Amar?

Preciso ser eu?
Eu mesma, acostumada, conhecida, esperada, subversiva, romântica, alegre, rápida e desesperada?

Não.

Não preciso do replay de mim
Viciado no erro, com medo de largar o hábito de ser eu.
Agarrada a carcaça esquelética da infância, dançando uma não-música numa sala fria e vazia
dentro de mim.




E quando arrisco a dança do novo
estremeço o chão de trincas
e gritos

Vou colorindo de desejo e absurdo
todo o caminho
Que antes era branco

Estava repleto de mim, cansado de mim -  repetida -  mal querida
conhecida, chata, sem graça
Perfeitamente banal na imensidão

E com passos que vão se atualizando no compasso da relação com o outro
vou me diferenciando
estremecendo ... me entregando
guarnecendo
colhendo
gemendo, gritando..........até               EXpLoDIr.

de azul    vermelho    e roxo

Todo o quarto quente
Todo o céu branco
Todo o vento morno
Toda a tarde branda
Toda a primavera sã
Todos os corpos tontos
[Todo desejo. ]

Reativando as partes esquecidas e recobrando as facetas de vida que se torna, novamente larga
segura, completa, limpa
  Sem peso do corpo

Com o peso do corpo todo
Nu
Suado, nutrido, cansado, tremendo, metade gelado, metade quente                    Desestruturado
fragmentado em partículas de pequenices mundanas

em construção.


Demasiada foi a espera pra chegada da onda que tudo invade e num curto espaço de tempo
transforma, renova e transgride
tudo que era antes água parada
agora é fluxo de enxurrada
cachoeira
espumada
corrente
quebrada


Na varanda escuto a água que escorre
pelo chão e pelos poros

Sou água que inunda, que molha por dentro e por fora

transborda.

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