E qual é mesmo o papel que preciso?
Preciso ter um papel?
Preciso ser observada ou atuar?
Atuar? Amar?
Preciso ser eu?
Eu mesma, acostumada, conhecida, esperada, subversiva, romântica, alegre, rápida e desesperada?
Não.
Não preciso do replay de mim
Viciado no erro, com medo de largar o hábito de ser eu.
Agarrada a carcaça esquelética da infância, dançando uma não-música numa sala fria e vazia
dentro de mim.
E quando arrisco a dança do novo
estremeço o chão de trincas
e gritos
Vou colorindo de desejo e absurdo
todo o caminho
Que antes era branco
Estava repleto de mim, cansado de mim - repetida - mal querida
conhecida, chata, sem graça
Perfeitamente banal na imensidão
E com passos que vão se atualizando no compasso da relação com o outro
vou me diferenciando
estremecendo ... me entregando
guarnecendo
colhendo
gemendo, gritando..........até EXpLoDIr.
de azul vermelho e roxo
Todo o quarto quente
Todo o céu branco
Todo o vento morno
Toda a tarde branda
Toda a primavera sã
Todos os corpos tontos
[Todo desejo. ]
Reativando as partes esquecidas e recobrando as facetas de vida que se torna, novamente larga
segura, completa, limpa
Sem peso do corpo
Com o peso do corpo todo
Nu
Suado, nutrido, cansado, tremendo, metade gelado, metade quente Desestruturado
fragmentado em partículas de pequenices mundanas
em construção.
Demasiada foi a espera pra chegada da onda que tudo invade e num curto espaço de tempo
transforma, renova e transgride
tudo que era antes água parada
agora é fluxo de enxurrada
cachoeira
espumada
corrente
quebrada
Na varanda escuto a água que escorre
pelo chão e pelos poros
Sou água que inunda, que molha por dentro e por fora
transborda.
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