quarta-feira, 21 de junho de 2017

A felicidade como uma bolha translúcida de sentido

Repelem-se os seres que navegam no oceano da guerra
é método infalível de separação e dor

se queres amar, pelo contrário
mergulhe fundo na des-ilusão de se perceber imerso no mar
à deriva
transmitindo misericórdia por entre os poros anuviados

É tudo transmutação do sentido fixo
do entendimento teso

no fogo do alto da montanha
na caminhada silvestre por abraços e perdões

desperta, irmandade
desperta o amor

Vassouras gastas
empilhadas nas costas dos gigantes faladores
minha pulsão por refrões desidratados de poesia e sedentos de beleza

há caminhões nos esperando se insistirmos em demorar na derrota
o esquecimento da fogueira: causa primária da cicatrizes do desrespeito
nós não somos loucas
somos sim loucas
avariadas

atormentadas pela necessidade de atender a vida
à justiça
por fim à tranquilidade necessária para se mergulhar nas águas sagradas de uma cachoeira verde-azul e fria
de sol ameno, adentrando timidamente a mata
da floresta de Oxossi
da mãe Oxum

do Axé transcendental de nossos antepassados não apagados
não higienizados de branco
não silenciados de sangue

porque essa história escapou e ficou escrita nas notas musicais dos intervalos tênues dos séculos
nos intervalos entre as nuvens

nos intervalos entre as pausas das respirações
entre os segundos do relógio da Igreja verde claro da cidade do interior do mundo

da aguá clara do rio de peixes dourados
nos passos do índio


nos vãos dos dedos das crianças pintadas de vermelho
descalças nas ruas de terra antiga

meu eu enraizado
desuniformemente livre
humanamente esparramado, espaçado de ar
eternizado no sorriso atemporal de qualquer pessoa que ouse dizer a palavra.