Noite fria
Velas acessas
Vocês descalços na sala
Sentados pelas almofadas ao chão
Respirando a fumaça da enforia calma, tão precisa e preciosa
Eu, envergonhada
pisoteando as incertezas
Com medo de adentrar
A vida
Medo de tocar os corpos
Com sede de intimidade
Foram se desfazendo os nós
E se abrindo o abraço, o toque
cada vez mais largo, cada vez mais forte.
Até que mergulhamos.
O jazz ritmando os movimentos
O encaixe brincando de adivinha
Nós, sombreados pela noite
Abertos ao acaso
Desleixados com as velhas tradições
Loucos de desejo.
Amanhece lá fora
Água escorrendo branda do corpo lépido
Cai chuva interna
Vontade de ficar
De beijar
De deixar continuar
Infinitamente
Até a tremedeira que me dá
Decidir morar em mim
E a vida ganhar outra cor.
Celeste-prazer-carnal
Corpo que ligado, ferve o sangue.
Que descoberta.
Que ternura.
Que espanto bem-vindo.
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