quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Tantriquizar

Fazer da vulnerabilidade força
do toque cura
do afeto antídoto contra a guerra

É um mar, oía, olha o mar
Tinha gente de tudo quanto é lugar 
Tinha medo enrijecido na pele 
Tinha o toque a desmistificar

Fomos nós caminhando por entre 
os abismos de nós mesmas
percorrendo na outra o caminho 
para nós 

Desnudando a vergonha
recompondo as partes fragmentadas
Da confiança que se faz necessária
para poder ser 

Sermos de nós 
Para sermos com as outras

Acolher os nos 
para que transformados em laços 
preservem os traços  
ampliem a misericórdia 
restaure a memória no amor 

Olha lá o mar 
é o mar é o mar 

fomos flutuando 
desnecessárias 

Pelo mar de pele e pelo 
Por entre cicatrizes calmamente 
esculpidas pelo tempo que tropeça na terra 
fomos nos reerguendo 

Se reconhecendo onda na imensidão de um oceano de água
cada vez mais clara
tranquilizando a maré 
que reverbera espuma onde antes 
não vimos sequer areia 

Somos isso 
essa onda que se faz mar 
quando se reconhece parte 
participante 
atuante, pequena e importante 
Somos isso 
balancê do aprendizado 
tocando com a ponta dos dedos 
a profundeza da alma 

Passando pela terra e chegando ao céu.


Nenhum comentário:

Postar um comentário