quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A ditadura da proteção ou a obrigatoriedade da secura

            À Francesca Woodman
Começou a chover bem na hora
ainda tinha cores pela casa
mas a temperatura caíra muito rápido
mesmo sendo verão

era quase que um sopro dela

E aquelas fotos

aqueles borrões de terror e suicídio deram início ao desaguar das palavras acesas

o vento tocava o pé da coluna
minha fumaça espairava-se no ar como meus nós
pensamentos que se perdem na atmosfera

era mais uma terça e quase não acreditava

Após aqueles meses de autorização
metamorfoseando as loucuras e condensando tudo tudo num navio secreto no fundo do olho esquerdo que tilintava de verde e anil as serenas vozes

Tinha o perdão e o vômito

tinha o barulho das gotas e a beleza inerente a todas as coisas

folhas são tão suaves quando se permitem umedecer....

Sim, ela era completamente perturbada pelos espíritos da terra
selvagem o coração
forte a morte perante o corpo frágil de uma mulher de 22 anos do dia 03 de abril




Nosso mergulho ancestral será divino
imagine todas as almas flutuando em corrente rumo à luminosidade etérea do céu
vendo se afastar os verdes das matas e indo de encontro ao infinito ar espaço
sem tempo


acabando-se as demoras e as esperas vamos enfim poder ser
li-ber-da-de






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