À Francesca Woodman
Começou a chover bem na horaainda tinha cores pela casa
mas a temperatura caíra muito rápido
mesmo sendo verão
era quase que um sopro dela
E aquelas fotos
aqueles borrões de terror e suicídio deram início ao desaguar das palavras acesas
o vento tocava o pé da coluna
minha fumaça espairava-se no ar como meus nós
pensamentos que se perdem na atmosfera
era mais uma terça e quase não acreditava
Após aqueles meses de autorização
metamorfoseando as loucuras e condensando tudo tudo num navio secreto no fundo do olho esquerdo que tilintava de verde e anil as serenas vozes
Tinha o perdão e o vômito
tinha o barulho das gotas e a beleza inerente a todas as coisas
folhas são tão suaves quando se permitem umedecer....
Sim, ela era completamente perturbada pelos espíritos da terra
selvagem o coração
forte a morte perante o corpo frágil de uma mulher de 22 anos do dia 03 de abril
Nosso mergulho ancestral será divino
imagine todas as almas flutuando em corrente rumo à luminosidade etérea do céu
vendo se afastar os verdes das matas e indo de encontro ao infinito ar espaço
sem tempo
acabando-se as demoras e as esperas vamos enfim poder ser
li-ber-da-de
Nenhum comentário:
Postar um comentário