quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Das horas vagas

Repleto 
Transbordou mirras 

Transpassou os limites do recipiente 
Adentrou o fora escorregando liso pelo vidro morno 

meu sangue 
vivo cor de carne forte 
escureceu quando pisou na terra e absorveu os laços da cultura ancestral 
que habita no mundo 

eu sábia de mim 
perdida de mim 
caída em mim 
destilada 

Nos dias de sol regente 
nas noites curtas de verão 
no chão do quarto aceso 
o desejo toca o olho da alma na sua prisão 

Descalços descendo as escadas de madeira 
o som alto dos ossos 
a poeira 
o coração 

virou a esquina 
desapareceu na noite
fez de mim purpurina morta de carnaval antigo 
vermelho brilho grudado na pele 

Sabe? Aquele ardor da saudade 
Aquela brisa da eternidade 
O azul permanência 
da vontade de ser céu
sendo mar 


Os olhos sempre pra cima 
mirando o impossível das estrelas 
os pássaros sempre sempre apressados 
as flores entrando pra fora das árvores 

e nada mais importa no planeta 
nada mais faz sentido no pulmão 
nada que não seja ar 
que não seja o mar    
                                           o lar
o luar 


minhãs mãos perfeitas 
misturando as tintas e os buracos profundos 
tateando a vontade com o desejo com a loucura 

a loucura que mora aqui e aí 
que não vai porque só sabe ficar 
e ficando vai aprendendo a viver 

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