Transbordou mirras
Transpassou os limites do recipiente
Adentrou o fora escorregando liso pelo vidro morno
meu sangue
vivo cor de carne forte
escureceu quando pisou na terra e absorveu os laços da cultura ancestral
que habita no mundo
eu sábia de mim
perdida de mim
caída em mim
destilada
Nos dias de sol regente
nas noites curtas de verão
no chão do quarto aceso
o desejo toca o olho da alma na sua prisão
Descalços descendo as escadas de madeira
o som alto dos ossos
a poeira
o coração
virou a esquina
desapareceu na noite
fez de mim purpurina morta de carnaval antigo
vermelho brilho grudado na pele
Sabe? Aquele ardor da saudade
Aquela brisa da eternidade
O azul permanência
da vontade de ser céu
sendo mar
Os olhos sempre pra cima
mirando o impossível das estrelas
os pássaros sempre sempre apressados
as flores entrando pra fora das árvores
e nada mais importa no planeta
nada mais faz sentido no pulmão
nada que não seja ar
que não seja o mar
o lar
o lar
o luar
minhãs mãos perfeitas
misturando as tintas e os buracos profundos
tateando a vontade com o desejo com a loucura
a loucura que mora aqui e aí
que não vai porque só sabe ficar
e ficando vai aprendendo a viver
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