terça-feira, 28 de março de 2017

Declínio

Eu e você
Éramos tudo no mundo das cicatrizes
O vento chegou
Assoprou meus labirintos
E arrepiou meus medos
Éramos nada

Cada parte da cabeça pendia para um lado
Eu era respiração e reza
Meu coração atropelado corria pelo campo pedindo ajuda à alguém
Mas era só ele. Sozinho.

É que chega um dia em que todos precisam partir levando suas máscaras
E eu estou sem força nesse momento
cansada. Afogada.

A fumaça que ingerimos constantemente é uma tentativa esquisita de por fim aos desenganos.
Somos todas sugadas por esse tentar.

Meus quase 23 anos me mostram alguma paisagem colorida, porém anuviada.
Tudo desacortina, dá medo e dor.
Mas é bom.

Foi assim que pude compreender a festa. A desprovida.
Minha máscara de desigual e incompleta provocava-me nojo.
Meus pés se deslocavam no chão de mata molhada.

Eu os sentia na cabeça.

Meu tratamento é a liberdade.

Mas ela não pode vir a galope.
Pois assim ela descampa minhas centelhas protetoras de ilusão que moram no esconderijo da pele.
Me enriquece de inverdades.

meu corpo se abrindo
meus músculos se contraindo
Seu eu desgovernado sobre meu interior.

Se atrasa mostrando seu inconstante descompromisso com o laço.

A voz enternecida de nuvens.

O cais do porto amarelo de folhagens vindas dos sonhos.
O barulho das folhas secas com os nossos passos descalços e eu sentindo que tudo podia continuar...

lava do amor carnal

As portas fecharam e ficamos para o lado de fora.

Até quando iríamos continuar sem saber de nossas vísceras escancaradas no sangue cru?
Aquela companhia que falta.

Seu toque aveludado e a lembrança de seus lábios quentes, mortíferos ao meu estômago.
minhas gengivas, meus poros.

cigana.

Na estrada eu estava procurando redes de pescar, porque queria ser água.

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