sábado, 25 de abril de 2015

De fora em mim

Implacável e sereno como tudo que vem da terra
Silenciosamente te detona, bem devagar
Inóspito como a agonia de uma dor
Repousa serenamente na morte e na constatação do que é amor

Namorei o azul do céu celeste
Com o verde escuro da mata da minha terra
E me vi refletida em todos os dias de chuva fria nas manhãs vazias dos dias cinzas
Na infância arqueada  de silêncios
Nas curvas de uma vida traçada
Com lápis, borracha , canetas e água morna

Odeio tudo que é morno

Do café da manhã frio
Das rabugices desconcertantes
Do olá mal dito
Do olhar sempre pra baixo
Cansei-me de tao pouco achar em tantos corações cansados
E desesperei-me vendo o dia amanhecer e o cheiro das flores me invadir clareando meus passos covardes, estraçalhando meu divagar contínuo, profundo

O sino da igreja tocou
Me avisando que é hora de partir

Repousei minha mão sobre a sua
Numa tentativa de refrescar os pulmões e  reencostei  meus olhos no mar
No azul calmante da história pra esperar seu despertar

Além do hoje
Pra sempre na eternidade do segundo que contém meu espírito afogado no amor.

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