sexta-feira, 28 de março de 2014

A espera

Há um menino a esperar.
Os números humanos insistem em andar, sem parar.
De um lado parar o outro, sem saber pra onde ir.
Ninguém foge aos padrões, apenas alguns poucos - moribundos-, inconstantes almas, passam despercebidxs também.
A coloração, múltiplas de infindas cores, nas roupas se tornam corporais, intrínsecas à personalidade fazem parte da identidade de identificação, mesmo que esta seja falsa e ilusória.
Carências se fazem notar à medida que vida grande passa vazia, que tem no seu lugar a não origem e o que não é de ninguém.
A experiência se tornou falha quando por um acaso se percebe a perplexidade de indiferença.
Algo este errado aqui.
Cada um vivendo sua medíocre vida à espera do outro que nunca chegará. Ou melhor, à espera de respostas que nunca chegarão.
Os olhares, atentos e repetitivos, buscam algo de interessante e anti-monótono.  Não acham.
Através dos passos rápidos, se imprime a pressa da resposta. Ninguém aqui sabe onde está.
Não há propósito algum em não ajudar.
Os óculos escuros disfarçam olhares cinza, escondidos dentro de si mesmos.
Mãos e pés cansados, peles suadas, vidas amarguradas, não param de andar.
Conselhos, discussões, vozes altas, absolutamente em vão.
O espelho da vitrine reflete corpos sem vida. O ideal nunca existiu. É só consumação.
Dentro de seus pequenos grandes mundos, rodeados de desconhecidos, outros sozinhos humanos  falam ao telefone: aparições de sentimento.
Compras e presentes; família versus preconceito. Fictícios personagens de uma vida talvez real, talvez boa.
As crianças são assustadas e eu as entendo.
Anéis, tatuagens, brinquedos, celulares, bolsas, saias e sorvete andam pelos corredores do shopping, gritando.
Fones de ouvido tampam o buraco pelo qual agora não entra mais nada, diferente de antes que entrava muita coisa, muita merda.
A música ouve o silencio e fala o que se sente sem que precise explicar.
Viagens marcadas, esperanças mortas, dor e alegria no café da manha.
Um livro acabado, um outro  começado, a dor de não saber dizer não.
A dissonância da vida, os caminhos-labirintos,  nos perdem depois de achados.
Ternos no verão, moletom nas mãos, gelo no coração.
Nenhuma risada verdadeira.
O som da máquina de suco esvazia o pensamento, a mente limpa liberta o tempo. Ouviu seu nome? Mas ninguém te chamou.
Quem é galinha pintadinha?? Um dia em branco e muito sono.

À espera de achar o que não procuram, todos erram e ninguém quer ajudar.

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