A espera
Há um menino
a esperar.
Os números
humanos insistem em andar, sem parar.
De um lado
parar o outro, sem saber pra onde ir.
Ninguém foge
aos padrões, apenas alguns poucos - moribundos-, inconstantes almas, passam
despercebidxs também.
A coloração,
múltiplas de infindas cores, nas roupas se tornam corporais, intrínsecas à
personalidade fazem parte da identidade de identificação, mesmo que esta seja
falsa e ilusória.
Carências se
fazem notar à medida que vida grande passa vazia, que tem no seu lugar a não
origem e o que não é de ninguém.
A
experiência se tornou falha quando por um acaso se percebe a perplexidade de
indiferença.
Algo este
errado aqui.
Cada um
vivendo sua medíocre vida à espera do outro que nunca chegará. Ou melhor, à
espera de respostas que nunca chegarão.
Os olhares,
atentos e repetitivos, buscam algo de interessante e anti-monótono. Não acham.
Através dos
passos rápidos, se imprime a pressa da resposta. Ninguém aqui sabe onde está.
Não há
propósito algum em não ajudar.
Os óculos
escuros disfarçam olhares cinza, escondidos dentro de si mesmos.
Mãos e pés
cansados, peles suadas, vidas amarguradas, não param de andar.
Conselhos,
discussões, vozes altas, absolutamente em vão.
O espelho da
vitrine reflete corpos sem vida. O ideal nunca existiu. É só consumação.
Dentro de
seus pequenos grandes mundos, rodeados de desconhecidos, outros sozinhos
humanos falam ao telefone: aparições de
sentimento.
Compras e
presentes; família versus preconceito. Fictícios personagens de uma vida talvez
real, talvez boa.
As crianças
são assustadas e eu as entendo.
Anéis,
tatuagens, brinquedos, celulares, bolsas, saias e sorvete andam pelos
corredores do shopping, gritando.
Fones de
ouvido tampam o buraco pelo qual agora não entra mais nada, diferente de antes
que entrava muita coisa, muita merda.
A música
ouve o silencio e fala o que se sente sem que precise explicar.
Viagens
marcadas, esperanças mortas, dor e alegria no café da manha.
Um livro
acabado, um outro começado, a dor de não
saber dizer não.
A
dissonância da vida, os caminhos-labirintos,
nos perdem depois de achados.
Ternos no
verão, moletom nas mãos, gelo no coração.
Nenhuma
risada verdadeira.
O som da
máquina de suco esvazia o pensamento, a mente limpa liberta o tempo. Ouviu seu
nome? Mas ninguém te chamou.
Quem é
galinha pintadinha?? Um dia em branco e muito sono.
À espera de
achar o que não procuram, todos erram e ninguém quer ajudar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário