domingo, 5 de julho de 2015

Medir

Quero falar disso
desse espaço vazio sem palavras que aprendo cotidianamente
sem mensura
dessa tristeza que se esvai pelo dedos no teclado
da minha felicidade mesmo com o dia nublado

Quero lembrar dessas coisas
Da minha mãe me esperando pro almoço
Do macarrão que me acompanha
Da esperança que não é espera do amanhã
Mas é o dia se transformando nesse dia que é tudo que tenho

O ar entra no peito e espera que  eu possa o colocar pra fora, agora, modificado
Nada que começa de um jeito, termina do mesmo
E as noites de inverno e de verão sempre possuem as mesmas características
nunca deixam de ser noite



E eu nunca deixo de ser eu
mesmo que o que eu mais queira da vida seja me livrar do "mim" e do "meu"
do tempo que não é hoje
De esperança que não está no agora

De repente silêncio morno na mente calma
percebo os latidos, e os transtornos
a calma do caos que vem calma
A cabeça pairada no pescoço

Ordem na desordem é virtude
Compreendes o seu caos? Então vives

De mim
do tempo
Do contorno
Do não dito, do que não é verbo
Só resta a atenção
o ouvir pleno
o deixar acontecer



E hoje me despeço de mim.
Morro todos os dias
Mato o passado e o futuro
me transformo no silêncio do medir.


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