Quero falar disso
desse espaço vazio sem palavras que aprendo cotidianamente
sem mensura
dessa tristeza que se esvai pelo dedos no teclado
da minha felicidade mesmo com o dia nublado
Quero lembrar dessas coisas
Da minha mãe me esperando pro almoço
Do macarrão que me acompanha
Da esperança que não é espera do amanhã
Mas é o dia se transformando nesse dia que é tudo que tenho
O ar entra no peito e espera que eu possa o colocar pra fora, agora, modificado
Nada que começa de um jeito, termina do mesmo
E as noites de inverno e de verão sempre possuem as mesmas características
nunca deixam de ser noite
E eu nunca deixo de ser eu
mesmo que o que eu mais queira da vida seja me livrar do "mim" e do "meu"
do tempo que não é hoje
De esperança que não está no agora
De repente silêncio morno na mente calma
percebo os latidos, e os transtornos
a calma do caos que vem calma
A cabeça pairada no pescoço
Ordem na desordem é virtude
Compreendes o seu caos? Então vives
De mim
do tempo
Do contorno
Do não dito, do que não é verbo
Só resta a atenção
o ouvir pleno
o deixar acontecer
E hoje me despeço de mim.
Morro todos os dias
Mato o passado e o futuro
me transformo no silêncio do medir.
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