E por mais que ha muito tempo um despertador me acompanhasse, mesmo que diariamente, eu nunca estive acordada.
Meu despertador sonoro gritante das manhãs sonolentas, me retirava do estado de inércia " em pausa", para me colocar no estado de inércia "em pé".
E quando vejo as fotos, vejo a vida que faltava de mim.
Eu escutava diálogos, participava de muitas conversas, mas jamais soube de fato, me expressar, jamais soube ouvir.
Eu via meus amigos e amigas, minha família , meu eu no espelho de qualquer lugar, minha cidade, meu país, mas não os enxergava.
Não me deixava sentir a vida. Porque não sabia como fazê-lo.
Porque verdadeiramente é preciso reaprender.
O segredo as vezes é andar de olhos fechados, eu juro.
Num impulso vital de coragem e curiosidade, eu saí do meu lugar e fui ocupar o mundo. Não que isso seja um depoimento, nunca será. Nenhum ser dominou as arte das palavras ao ponto de fazê-las sentir o que dizem. Eu não o farei.
Carregada de sorte e amor, me vi refletida a cada olhar que recebi.
Descobri que quando nasci, nessa sociedade, ganhei várias malas, bagagens de ilusões, desafios preciosos. "Regardez la pensée, sentez l'emtion, surveillez la réaction!"
No ritmo da dança e no encanto da música um universo completamente novo se abriu, onde conheci pessoas especiais , que me inundaram de histórias de amor e vitória.
Vitória sobre tudo que há de injusto, de incerto, de errado.
Lição, daquelas de vida. Manual de instruções até que existe.
O que eu aprendi é que minha única obrigação é ser feliz, no sentido total da frase, o que quer dizer transformar minha realidade em algo respirável de esperança e coerência.
Mas para ser feliz é preciso estar em paz, senão não funciona.
Quando a coerência chega, através da reaprendizagem que se dá quando se conhece uma outra possibilidade de vida, uma outra alternativa, uma nova rota aparece.
Somos afogados cotidianamente por ilusões que nos tiram a esperança, que nos impedem de enxergar o real objetivo de estarmos aqui.
O tempo é uma das ilusões mais sólidas e inteligentes que existe, acredito eu.
Quando entendi que o passado e o futuro só existem no mental e que o momento presente é a nossa eternidade, eu perdi a pressa da vida.
Minhas preocupações foram se despregando do meu consciente, caindo pelos fundos dos vales de montanhas verdes em cada lugar que passei.
Meus objetivos foram se transformando, o " querer ser" se transformou no " ser agora".
Minha maior prioridade se transformou no já.
Esse.
Agora.
É tudo o que eu tenho pra ser o melhor de mim, é tudo o que eu tenho.
Deixar de ser escrava do pensamento involuntário para se conectar ao meu ser é meu desafio mais querido. Meu presente.
Há muito o que aprender, a cultivar e a caminhar, o tempo relógio nunca para, ele passa igual para todos, independente do que fizermos ou sentimos.
Mas na eternidade do momento agora está a riqueza de todos as vidas, é onde está todas as nossas chances de vencer o mundo.
A comunidade da Arca de La Fleyssière me mostrou que há sim outras opções e que nunca será alto demais o preço a pagar por pertencer a si mesmo.
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