domingo, 23 de novembro de 2014

Tarde de Fumaça

E talvez seja isso
A razão pela qual eu não consiga escrever nada que não seja isso
O motivo pelo qual meu quarto esteja quente, muito quente
E lá fora esteja quase congelando, de fato está  

E o porquê das folhas estarem voando com o vento, mortas
E da neblina cheirar a inverno, ainda vivo
E as cores estarem sempre vívidas, límpidas
E os amores sempre ardendo no peito, doentio

Não consigo simplesmente mudar de assunto
Sempre vou falar e falar e falar sobre algo que em mim pulsa constantemente
Minha astucia perspicaz, minha tendência viciada
Meu sujeito preferido

Eu ainda tento abrir a janela, é verdade
Deixar que a temperatura se misture
Que os ares se contenham
Que a música se traduza em pele, suor e desejo

Mas é tudo rápido demais em mim

 As vozes sempre roucas e cansadas
Sempre tentando convencer em qualquer língua, em toda parte
Que todos estão a procura sempre de alguém
Alguém que seja digno de amar
Alguém pra quem escrever
Alguém que não o faça sofrer

Absolutamente tudo em mim e em nós vibra por isso
E eu não consigo deixar de escrever sobre esse assunto
Como se tudo que saísse de mim
Absolutamente tudo
Fosse voce
 


Calma
Não é só voce
Foi quase isso
Mas depois eu respirei e ainda consegui ver o mundo ao meu redor

Inimaginável como o tempo que voa manso na  asa da vida pode transformar tudo
E agora de longe e de perto eu vejo bem melhor
Bem mais vivo, além de quente e claro
Se falo de mim, é porque preciso ser eu pra viver

Mas meu sujeito preferido continua sendo o mesmo

Você

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