segunda-feira, 2 de junho de 2014

Pra amanhã


Agora já é um pouco tarde
A tormenta e os versos perfeitos que me veem de madrugada já se foram
Eu escrevi muitos livros em sonho, eu , eu mesma.

Durante um filme artístico me imaginei gritando versos de desilusão
Falando claramente que a minha arte era a manobra das palavras-sentimentos
Mas acordei com o coração disparado em meio a um tempestade de escolhas

Naquela tarde eu escolhi o silêncio, o afastamento, as cores e as músicas
Eu escolhi o conforto e a falta de exemplo
Enchi o saco da vida e fui caminhar sozinha

Agora é tarde, já não espero o por-do-sol
E os pensamentos se enganam e desenganam dentro deles mesmos, perdidos, sem consolo, desesperados
Amanhã nada vai passar.

Da espreita névoa branca da manhã, do calor do sol e da preguiça
Despeço-me de mim pra nunca mais me achar
Quero o vazio de não ser lida

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