Meu coração dispara
É o assombro da solidão me
rondando novamente nessa tarde de domingo
O que vai me entristecer agora?
Sei que tenho tudo que preciso
O que eu preciso?
Vou conseguir?
Respiro e o ar machuca meus pulmões
Quero parar de pensar, ver um filme, me acupar de algo que
não seja eu
Mas já é tarde, já estou aqui, de frente pra mim, nesse
quarto amadeirado e propício
O universo continua assim, calmo, parada, observando todo
mundo dançar a dança da ignorancia
Ele nao sente pena de toda essa gente perdida na vida
A inteligencia fez tudo, deu tudo, preparou tudo e jogou
seres sentimentais dentro do tudo
Bateu , bateu, sacudiu e disse: se virem. Eu estou aqui caso
precisem, caso lembrem ou caso saibam
Estamos aqui pois. Nós, o silêncio, o caos e o propósito
turvo de algo indecifrável pelo medo.
Há beleza, sim e muita. Mas há olhos que a enxergam? Nem
sempre.
Verdes de todos os tons, azul e branco. Faz-se distante de
mim a elonquencia e se aproxima a loucura de estar vivo.
Não tenho hora, não tenho relógio, não tenho tempo.
Perco tempo.
Respiro de novo, o vento sopra bonito nas árvores desse
verão frio.
As portas batem, Alguém está se despedindo, a todo tempo vão
embora, e eu quase já não sinto mais dor e nem vontade de chorar.
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