domingo, 5 de outubro de 2014

Me despeço

Me despeço
Abro a janela e hoje me despeço do verão europeu.
Agora entra um vento frio que levanta todos os papéis da mesa e esfria a medeira antiga do meu quarto.
Os galhos lá fora se retorcem, se encurvam pra aguentar o vento,pra sobreviver na batalha que é viver
O vento faz um barulho alto, como se fosse uma fábrica, faz medo e beleza em mim, a fábrica chamada outono vai construir o inverno, tão famoso inverno.
Respiro fundo na manha ainda escura.
Há gotas de chuva mansas e geladas caindo constantemente, molhado as flores, molhando as montanhas, molhando a vida.
Nada me é mais estranho nesse lugar de aprendizado e teste, nada me é mais ruim e bom.
Fecho os olhos em prece e medito por mim, pelos meus amados, pelo mundo.
Mas aí o vento fica mais forte, os galhos de frente a mim choram mais alto, sinto o mundo tranquilo e parado, mas no fundo sei que não é assim
Fiquei sabendo de notícias, de guerras, de futebol, fiquei sabendo que tudo continua igual.
Fiquei sabendo que na Colômbia há gente perdendo o direito de plantar, de colher , de cultivar. E que os EUA estão mais uma vez envolvidos na catástrofe que é destruir vidas.
Não quero voltar.
Sonho com pessoas e cotidianos agora distante da realidade, há desejo nos sonhos? Sonho com uma aula de política e com professores discutindo.
Não quero voltar.
Vejo a mansidão do silêncio invadindo meu coração, deixo o entrar e me revolucionar de sua forma, gentil, ágil e dura.
Tomo meu café na cozinha grande sozinha, olho pro nada como quem pensa em algo de importante,  mas no fundo é só isso. Saudade, vontade.
Disparado meu coração pula com o despertador. É hora de acordar.



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