Me despeço
Abro a janela e hoje me despeço do verão europeu.
Agora entra um vento frio que levanta todos os papéis da
mesa e esfria a medeira antiga do meu quarto.
Os galhos lá fora se retorcem, se encurvam pra aguentar o
vento,pra sobreviver na batalha que é viver
O vento faz um barulho alto, como se fosse uma fábrica, faz
medo e beleza em mim, a fábrica chamada outono vai construir o inverno, tão
famoso inverno.
Respiro fundo na manha ainda escura.
Há gotas de chuva mansas e geladas caindo constantemente,
molhado as flores, molhando as montanhas, molhando a vida.
Nada me é mais estranho nesse lugar de aprendizado e teste,
nada me é mais ruim e bom.
Fecho os olhos em prece e medito por mim, pelos meus amados,
pelo mundo.
Mas aí o vento fica mais forte, os galhos de frente a mim
choram mais alto, sinto o mundo tranquilo e parado, mas no fundo sei que não é
assim
Fiquei sabendo de notícias, de guerras, de futebol, fiquei
sabendo que tudo continua igual.
Fiquei sabendo que na Colômbia há gente perdendo o direito
de plantar, de colher , de cultivar. E que os EUA estão mais uma vez envolvidos
na catástrofe que é destruir vidas.
Não quero voltar.
Sonho com pessoas e cotidianos agora distante da realidade,
há desejo nos sonhos? Sonho com uma aula de política e com professores
discutindo.
Não quero voltar.
Vejo a mansidão do silêncio invadindo meu coração, deixo o
entrar e me revolucionar de sua forma, gentil, ágil e dura.
Tomo meu café na cozinha grande sozinha, olho pro nada como
quem pensa em algo de importante, mas no
fundo é só isso. Saudade, vontade.
Disparado meu coração pula com o despertador. É hora de
acordar.
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